Responsáveis pela garantia de fornecimento da água para a população da Região Metropolitana de Curitiba, municípios como Piraquara, Quatro Barras e Campo Magro têm que conviver com restrições ambientais que, segundo as suas lideranças, emperram o desenvolvimento econômico e social. Na opinião dessas lideranças, as dificuldades de criar empregos e aumentar a arrecadação deve-se ao fato de que todo o território é considerado área de preservação ambiental. Por isso, os municípios reivindicam uma compensação e o reconhecimento do trabalho de manutenção da qualidade de vida de 3,6 milhões de pessoas.
Dos 7,2 m3 de água consumidos por segundo na Região Metropolitana de Curitiba, 3,2 m3 saem das bacias hidrográficas de Piraquara, ou seja, quase 50%. No caso da capital, esse percentual sobe para 70%. Cem por cento do território do município está em área de manancial, à disposição do Estado para a captação de água. O que impede a instalação de qualquer indústria que produza resíduo líquido, por exemplo.
Sem indústrias e com pouca atividade econômica em geral, a cidade sobrevive com um orçamento equivalente a 40% da média dos demais municípios da Região Metropolitana, segundo o secretário do Meio Ambiente, Agricultura e Turismo de Piraquara, Gilmar Clavisso. São R$ 40 milhões por ano para uma população de aproximadamente 100 mil habitantes, o que equivale a uma média de R$ 400 por cidadão.
Clavisso defende que Piraquara precisa ser compensada pelo cuidado com os mananciais. ‘‘Queremos que a Sanepar, o governo do estado e a prefeitura de Curitiba pensem no município com carinho. Precisamos de investimento e gostaríamos que eles se sensibilizassem com isso’’, afirma.
Para o prefeito de Quatro Barras, Roberto Adamoski, não se trata de explorar a água comercialmente, mas de valorizar a prestação de um serviço essencial. No final do mês passado, a prefeitura de Quatro Barras recebeu o Prêmio Internacional Sócio-Ambiental Chico Mendes, pelo trabalho de preservação. ‘‘A gente cuida de acordo com o que o Ministério Público do Meio Ambiente exige. Não é a água que a gente quer vender, queremos que a prestação de serviço do fornecimento da água seja tributada’’, explica.
O secretário de Meio Ambiente de Campo Magro, Claudio Renato Wojcikiewicz, reforça o debate. ‘‘A média histórica de crescimento da população de Campo Magro é de 4% ao ano e nós não temos condições de gerar emprego nessa proporção’’, justifica. ‘‘Precisamos de mais investimento para garantir o abastecimento em qualidade e quantidade para a Região Metropolitana’’, completa Wojcikiewicz.
Morador de Piraquara, o engenheiro civil e industrial José Zeitel, 47 anos, trabalha em Pinhais. Os filhos do industrial estudam em uma escola que também fica na cidade vizinha. De acordo com Zeitel, a opção por matricular os filhos em uma escola de Pinhais foi motivada pela qualidade do ensino. ‘‘Grande parte dos prestadores de serviços de boa qualidade não se instalam em Piraquara porque a maior parte da população tem uma renda baixa. Só chegam os serviços para essa faixa de renda’’, observa.
Proprietário de uma fábrica de embalagens plásticas, o engenheiro não vê perspectiva de mudança a curto prazo. ‘‘É uma cidade dormitório e a tendência é aumentar. Eu gostaria de instalar minha indústria em Piraquara, mas hoje é inviável por causas das restrições ambientais’’, afirma.

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