Arquivo FolhaA beleza da maçã do algodão, que floresceu nas terras férteis de Goioerê, enriqueceu a região e as pessoas, hoje é uma lembrançaEmbora o café tenha sido a cultura pioneira, quem deu o maior orgulho a Goioerê foi o algodão. E não foi por menos. Com resultados como os da safra de 1990/91, quando foram cultivados 40 mil ha, o município chegou a ser o maior produtor do País. Somente naquela safra, os 1.550 cotonicultores de Goioerê colheram 86,8 mil toneladas. O município representou 6,4% de toda área cultivada e 8,5% da produção algodoeira estadual.
Na safra seguinte, os números positivos influenciaram a região. A quantidade de cotonicultores pulou dos 1.550 para 1.720 e a área plantada de 40 mil para 44 mil ha. O clima e os preços, no entanto, não ajudaram. E a produção, ao invés de subir, caiu para 62,8 mil toneladas. De lá para cá, a área destinada ao cultivo do algodão só vem diminuindo. O número de produtores que continuam com a cultura é pelo menos quatro vezes menor que o verificado no auge algodoeiro, e a área plantada representa apenas 10% dos bons tempos.
Os números assustam o município, que chegou a montar uma estrutura em função do algodão, como a fiação da Cooperarativa Agrícola de Goioerê (Coagel) e o curso de Engenharia Têxtil do Campus Regional da Universidade Estadual de Maringá (UEM). É o único curso do gênero no Estado e um dos três existentes no País. Com a redução da área, muitos trabalhadores rurais também deixaram Goioerê por falta de emprego, reduzindo a população.
No ano passado, lideranças formaram o Grupo Executivo do Algodão e prepararam um diagnóstico sobre a setor. O resultado foi encaminhado para o Ministério da Agricultura, mas a situação não mudou. Um estudo feito pelo Sindicato Rural indicou que somente a safra da último ano representou uma queda de 13,5 mil ha em relação à média plantada dos sete anos anteriores. A média de produção também caiu bastante: 25,7 mil toneladas.
EmpregosNa época, o levantamento também apontou que cerca de 500 famílias tinham migrado para outras atividades, enquanto mais de 800 famílias tinham sido expulsas do campo. Mais: a oferta de emprego havia sido reduzida a 4 mil postos, de trabalhadores volantes, e a redução da renda dos trabalhadores rurais já tinha chegado a R$ 2,4 milhões. Também deixaram de ser gerados, de acordo com o estudo, mais de 300 empregos na industrialização do algodão. Isso sem contar as reduções na arrecadação do ICMS.
O levantamento do Sindicato previa uma série de medidas para tentar mudar o quadro. Elas começaram a ser desenvolvidas há mais de um ano. Entre elas, havia a idéia de transformar Goioerê em pólo estadual de algodão. Também constavam o envolvimento dos produtores e a realização de cursos de qualificação profissional para os trabalhadors rurais. Era pedido ainda o envolvimento dos agentes de crédito, para que dessem prioridade na liberação de recursos; e o do segmento tributário, para tornar paritários os encargos para importação e exportação da pluma.

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