Município sente saudades do algodão
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Arquivo FolhaA beleza da maçã do algodão, que floresceu nas terras férteis de Goioerê, enriqueceu a região e as pessoas, hoje é uma lembrançaEmbora o café tenha sido a cultura pioneira, quem deu o maior orgulho a Goioerê foi o algodão. E não foi por menos. Com resultados como os da safra de 1990/91, quando foram cultivados 40 mil ha, o município chegou a ser o maior produtor do País. Somente naquela safra, os 1.550 cotonicultores de Goioerê colheram 86,8 mil toneladas. O município representou 6,4% de toda área cultivada e 8,5% da produção algodoeira estadual.
Na safra seguinte, os números positivos influenciaram a região. A quantidade de cotonicultores pulou dos 1.550 para 1.720 e a área plantada de 40 mil para 44 mil ha. O clima e os preços, no entanto, não ajudaram. E a produção, ao invés de subir, caiu para 62,8 mil toneladas. De lá para cá, a área destinada ao cultivo do algodão só vem diminuindo. O número de produtores que continuam com a cultura é pelo menos quatro vezes menor que o verificado no auge algodoeiro, e a área plantada representa apenas 10% dos bons tempos.
Os números assustam o município, que chegou a montar uma estrutura em função do algodão, como a fiação da Cooperarativa Agrícola de Goioerê (Coagel) e o curso de Engenharia Têxtil do Campus Regional da Universidade Estadual de Maringá (UEM). É o único curso do gênero no Estado e um dos três existentes no País. Com a redução da área, muitos trabalhadores rurais também deixaram Goioerê por falta de emprego, reduzindo a população.
No ano passado, lideranças formaram o Grupo Executivo do Algodão e prepararam um diagnóstico sobre a setor. O resultado foi encaminhado para o Ministério da Agricultura, mas a situação não mudou. Um estudo feito pelo Sindicato Rural indicou que somente a safra da último ano representou uma queda de 13,5 mil ha em relação à média plantada dos sete anos anteriores. A média de produção também caiu bastante: 25,7 mil toneladas.
EmpregosNa época, o levantamento também apontou que cerca de 500 famílias tinham migrado para outras atividades, enquanto mais de 800 famílias tinham sido expulsas do campo. Mais: a oferta de emprego havia sido reduzida a 4 mil postos, de trabalhadores volantes, e a redução da renda dos trabalhadores rurais já tinha chegado a R$ 2,4 milhões. Também deixaram de ser gerados, de acordo com o estudo, mais de 300 empregos na industrialização do algodão. Isso sem contar as reduções na arrecadação do ICMS.
O levantamento do Sindicato previa uma série de medidas para tentar mudar o quadro. Elas começaram a ser desenvolvidas há mais de um ano. Entre elas, havia a idéia de transformar Goioerê em pólo estadual de algodão. Também constavam o envolvimento dos produtores e a realização de cursos de qualificação profissional para os trabalhadors rurais. Era pedido ainda o envolvimento dos agentes de crédito, para que dessem prioridade na liberação de recursos; e o do segmento tributário, para tornar paritários os encargos para importação e exportação da pluma.


