Já ouviu falar em Lomo, lomógrafos ou Lomomania? Bem, não se preocupe, essas palavras não são tão populares no Brasil. No entanto, fazem a cabeça de muita gente por todo o País, na Capital e em tudo quanto é parte do mundo. A atividade, algo como ''fotografia casual'', não só diverte como também gera imagens artísticas e obras como a Lomowall Curitiba, que acontece até o próximo dia 2 de julho.
As máquinas fotográficas Lomo foram criadas para serem baratas, simples de manusear, resistentes e com lentes capazes de captar imagens para revelação sob pouca luz. O início da história das Lomo data de 1982, ainda na Guerra Fria. O general russo do Ministério da Indústria e da Defesa Soviético, Igor Petrowitsch Kornitzky, grande amante da fotografia, admirado ao obter uma câmera japonesa bastante resistente e com qualidade de lente superior, mandou o diretor da empresa Lomo, Michael Pantiloff, produzir material semelhante.
A idéia do general era a de popularizar a constante captação de imagens da então União Soviética, como estratégia de marketing, para veicular fotos do estilo de vida soviético em contraposição ao bastante propagado ''american way of life'' pela tevê. Eis que surge então a Lomo Kompact Automatic (LKA ou LC-A), que viria a ser vendida em outros países.
Em 91, dois jovens vienenses decidem dar o pontapé inicial para a Lomomania, em Praga, durante férias na República Checa. Fotografaram tudo o que encontraram pela frente, sem se importar muito com ângulo, luz, foco ou outras coisas básicas que um profissional não deve deixar de saber. O resultado foi um apanhado de imagens inusitadas, com efeitos diferentes e interessantes, como cores distorcidas. Daí em diante, a Lomomania tornou-se uma atividade sóciocultural em várias regiões do mundo, com embaixadas em mais de 50 cidades, inclusive no Brasil, com a Sociedade Lomográfica Brasileira e Embaixada Lomográfica de São Paulo.
''Uma das coisas mais legais da Lomo é que tem uma galera que não é fotógrafo profissional mas que sai por aí batendo foto. É a chance de fazer uma fotografia tesão ao alcance de qualquer um'', comenta Guilherme Caldas, artista e proprietário da loja de camisetas Candyland Comics. ''Gosto da Lomo por causa da vinhetagem, aquelas bordas negras nos cantos das fotos. Além disso, o ''defeito'' da lente causa uns efeitos interessantes. Também acontece uma alteração nas cores e a foto tem outra profundidade'', explica Daniel Azulai Bittencourt, 31 anos, locutor e diretor de vídeo. Ambos trabalharam juntos na composição da Lomowall Curitiba.
A casualidade, os ''defeitos especiais'' em distorções de foco, luz ou cores - especialmente a partir do uso de filmes de slides, muitas vezes de lotes vencidos, ao invés dos tradicionais - é o que mais chama a atenção dos lomógrafos. ''Pra mim o fotógrafo é o cara que tem a técnica e aqui a coisa é muito no chute'', reflete Guilherme. ''É que nem álbum de figurinha, quando você abre o pacote e não sabe o que vai vir'', compara Daniel.
Comunidade - O número de adeptos à Lomomania vem crescendo muito nos últimos anos e hoje conta com mais de 500 mil lomógrafos em todo o globo. Alguns deles famosos, como os músicos Brian Eno, David Byrne e Moby, o ator Robert Redford, entre outros.
A maneira mais fácil de encontrar informações e comunidades a respeito das Lomo é a internet. ''Participo de um fórum nacional no Yahoo Grupos, que se chama Lomo BR'', sugere Daniel, que costuma trocar idéias com outros lomógrafos via web. ''Nos sites o pessoal também costuma organizar missões, para o pessoal ir para a rua fotografar'', destaca.
Uma das coisas que mais chama a atenção, tanto de Guilherme quanto de Daniel, é com relação ao número de pessoas que sequer ouviram falar da Lomo. ''Eu achava que era uma coisa tão comum, durante os anos 90 muita gente tinha'', lembra Guilherme. ''Mas tem até fotógrafo que não sabe o que é Lomo'', completa Daniel.
O site www.lomo.com explica um pouco da história e do que se trata a Lomo, assim como o www.lomomania.blogspot.com. O mais indicado é o www.lomography.com, que conta com um shopping virtual, imagens postadas pelos lomógrafos do mundo todo, comentários dos usuários e dicas para iniciantes.
Lomowall - A idéia de juntar vários lomógrafos é comum em fóruns sobre o assunto na Internet e, em Curitiba, nasceu de um papo informal entre Guilherme, Daniel e Luciano Zaina, proprietário do Lucca Cafés Especiais, do Alto da Glória.
''Tem um amigo meu que vem aqui e sempre me fala de Lomo. Daí eu falei com o Guilherme e ele falou que faz, o Daniel também'', recorda Luciano. Em seguida, a união de esforços resultou na mescla de diversos trabalhos em uma única peça, um mosaico, o Lomowall, ou ''parede de Lomo''.
''Esse é um formato consagrado, teve um pessoal que começou fazendo em Viena, é composto por repetições de 26 expositores. Tem gente do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, de Floripa, de Recife, da Argentina'', afirma Guilherme. ''A gente já tinha alguma coisa pronta aqui e a convocação geral foi no fórum de lomografia (na internet)'', afirma Daniel.
A peça demorou um mês e meio para ficar pronta e chama a atenção pelas cores distorcidas, que ganham ainda mais destaque à noite, sob outra luz. ''A concepção do espaço no café foi para expor fotografia, que são obras de mais fácil leitura. E essa obra foi a que teve maior repercussão até agora, tem um impacto muito grande por ser diferente'', avalia Luciano.

SAIBA MAIS
As ‘‘Dez Regras de Ouro’’ da Lomografia
1 - Leve a sua Lomo onde for.
2 - Fotografe a qualquer hora do dia ou da noite.
3 - A Lomografia não interfere na sua vida, ela é parte dela.
4 - Aproxime-se o máximo que puder do objeto a ser fotografado.
5 - Não pense.
6 - Seja rápido.
7 - Você não precisa saber antes o que fotografou.
8 - Nem depois.
9 - Não fotografe com os olhos.
10 - Não se preocupe com as regras.
Fonte: sites especializados em Lomografia


Serviço
- A exposição Lomowall Curitiba fica no Lucca Cafés Especiais Alto da Glória, na Rua Augusto Stresse, 318, até o dia 2 de julho. Mais informações sobre a mostra podem ser obtidas pelo telefone (41) 3018-1088.

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