Na última década, assistimos a cena eletrônica despontar como uma das grandes vertentes musicais a serem exploradas pelas novas gerações. Numa era onde o computador torna-se, aos poucos, o principal ''eletrodoméstico'' presente nas residências, não estranha que este estilo esteja tão em voga atualmente.
Inseparável do conceito de música eletrônica, a figura do DJ também está cada vez mais em evidência. As facilidades tecnológicas para trabalhar elementos de áudio e os baixos custos para adquirir músicas via internet criaram o cenário propício para que muitos interessados em música eletrônica passassem a encará-la como uma atividade profissional.
De acordo com o DJ Ilan Kriguer, sócio da Academia Internacional de Música Eletrônica (Aimec), hoje em dia, tornar-se um DJ é muito mais fácil do que quando ele começou, em meados de 2000. Naquele tempo, para conseguir as músicas era preciso viajar à Europa para comprar os discos, procurar amigos mais experientes para conseguir dicas e desvendar por conta os mistérios dos equipamentos.
Hoje, os aspirantes ao posto de DJ contam com escolas especializadas, sites para baixar ou comprar faixas eletrônicas e um grande público ouvinte. Em Curitiba existem duas destas escolas. O preço médio de um curso básico, onde o aluno aprenderá os rudimentos da técnica da mixagem, gira em torno de R$ 500 e pode ser feito em um mês ou mesmo em um final de semana.
Formado recentemente na Christ DJ's Academy, Felipe de Lima Moraes, de 19 anos, sonha agora em sair do anonimato. ''Estou tentando fechar negócio para ser DJ residente em alguma casa noturna'', conta. Ex-técnico em informática, abandonou a área para seguir o sonho de ser um DJ. Para alavancar sua carreira, ele planeja realizar uma festa rave onde apresentará seu repertório - ou set - ao público. ''DJ e festa andam juntos'', explica.
Na opinião de Stanislaw Neto, de 24 anos, conhecido como DJ Neto, um dos veteranos da academia, para ser um bom profissional e garantir seu lugar em um mercado tão concorrido como esse, é preciso ter um repertório diferenciado. ''Muita gente acha que é só baixar as faixas e tocar. Estão enganados, em cada apresentação tem que ter um set diferente'', aponta. Para iniciar uma carreira nesta área, ele calcula que são necessárias, pelo menos, 300 músicas, de modo a não repetir o mesmo repertório nas apresentações. E a cada ano convém renovar todo o material.
Hoje, Neto ocupa uma posição onde muitos gostariam de estar. Consegue viver da sua música. Mas adianta que este caminho não é fácil.''Tem que ralar, cumprir horário, pesquisar'', afirma. ''Ser DJ é mais do que tocar.''
Financeiramente a atividade compensa. O cachê cobrado por um set de 1 hora e meia varia entre R$ 300 para os iniciantes até U$ 5 mil para profissionais de renome internacional.
Para chegar a este patamar, o jovem Felipe Steinthaler, de 15 anos, dedica uma hora por dia para aprimorar sua técnica e buscar novas músicas. Recém formado na academia de DJ's, ele considera a profissão coisa séria. No vestibular ele pretende disputar uma vaga em algum curso na área da música. Segundo ele, seus pais não entendem muito sobre a carreira que optou, mas incentivam sua escolha. Certamente porque reconhecem nele o genuíno sentimento de determinação. ''Quero morrer sendo um DJ'', declara Felipe.

mockup