Múltis mudam rumos de Ponta Grossa
Múltis mudam rumos de Ponta Grossa
Projetos que totalizam R$ 500 milhões vão diversificar produção até hoje baseada na agroindustrialização
Giovani Ferreira
Albari RosaKaiser de Ponta Grossa: investimentos de R$ 130 milhões De canetas a pneus para automóveis e caminhões, Ponta Grossa (Sul) abre as portas para as empresas multinacionais, transformando o seu perfil econômico-industrial até então baseado na agroindustrialização. Nos últimos dois anos, o município passou a ser um dos principais pólos industriais do Paraná, aparecendo como opção para empresas que não querem instalar-se em Curitiba, mas precisam ficar perto da Capital (a 115 km) e do Porto de Paranaguá (185 km).
Entre as indústrias que já se instalaram e aquelas que estão em fase de implantação, o município garantiu mais de R$ 500 milhões em investimentos nos últimos 24 meses. São fábricas de embalagens, carpetes, canetas, bebidas, suprimentos para as montadoras que estão chegando na Região Metropolitana de Curitiba, e até de comidas prontas, com o projeto de ampliação da unidade fabril da Sadia.
Números divulgados pela prefeitura apontam para a abertura de quase 4 mil empregos diretos e outros 12 mil indiretos. O fortalecimento da indústria pode ser percebido em todos os cantos da cidade, com obras de terraplenagem e construção de milhares de metros quadrados que já estão abrigando, ou vão abrigar, as 35 indústrias que se encontram em fase de implantação ou ampliação em Ponta Grossa.
Esta vem sendo uma das principais fases do desenvolvimento industrial da história de Ponta Grossa. Há quem diga que tudo não passa de um processo natural, alavancado pelo política de industrialização do governo Jaime Lerner. A localização geográfica de Ponta Grossa teria beneficiado o município, que hoje funciona como uma espécie de celeiro industrial do Paraná.
Muitas indústrias que estão chegando em Ponta Grossa, também estão entrando no País. A Continental AG Pneus, por exemplo, está construíndo no município a sua primeira unidade fabril da América Latina. Ela é a quarta maior empresa na produção de pneus do mundo e tem 125 anos de existência. Opera no mundo todo fabricando pneus e também é conhecida mundialmente como fabricante de produtos técnicos, bem como fornecedora de conjuntos de roda e pneu. Sistemas inovadores (molas pneumáticas, monitoração da pressão do pneu e material acústico para veículos) também fazem parte dos seus produtos.
Em Ponta Grossa, a empresa receberá a denominação de Continental do Brasil Produtos Automotivos Ltda, e investirá R$ 80 milhões, sendo R$ 40 milhões na primeira fase e R$ 40 milhões na segunda. Após cinco anos, a empresa pretende construir novas unidades. A fábrica produzirá pneus para automóveis, gerando 300 empregos diretos até a segunda fase, com este número aumentando após cinco anos, com a expansão de novas unidades fabris.
O mesmo acontece com a Beaulieu Kruishoutem, uma das maiores fábricas de carpetes do mundo, que está implantando em Ponta Grossa a primeira fábrica do ramo no Estado. A empresa assinou protocolo de intenções em 11 de junho de 1997 e planeja investir R$ 50 milhões numa fábrica, gerando 350 empregos diretos. A produção inicial acontecerá no segundo semestre. A Beaulieu possui seis fábricas, localizadas na Bélgica, África do Sul e na Austrália.
ReferênciaPara o secretário municipal de Indústria e Comércio, Herculano Lisboa, Ponta Grossa representa grande parte do desenvolvimento da indústria no Paraná. Com a chegada das multinacionais, Ponta Grossa está se tornando um município com a economia globalizada, diz Herculano. Segundo o secretário, a produção variada vai tornar o município mais competitivo.
Entre as principais e maiores indústrias estão a Cervejaria Kaiser, cujos investimentos em construção e ampliação já somam mais de R$ 130 milhões. O secretário vai mais longe ao falar da industrialização do município, alegando que o desenvolvimento local beneficia toda a região. São aproximadamente 15 municípios que têm Ponta Grossa como cidade-pólo. Essas cidades são beneficiadas com o reflexo do desenvolvimento industrial de Ponta Grossa.
Os empresários de Ponta Grossa estão tratando essa nova fase como a retomada do desenvolvimento industrial do município. Durante 20 anos, a economia local ficou estática. Os últimos investimentos de peso no município aconteceram no início da década de 70, com as multinacionais do setor agroindustrial, como Sanbra, Santista e Cargil, que até hoje são referência nacional do setor em todo o Brasil.





