Thiago Nassif
Reportagem Local
Jordana Laffranchi passa a faixa na próxima quarta-feira e, em torno da geração ensino médio - mais seus pais, familiares e amigos e em toda a cidade -, a pergunta ecoa: Quem será eleita Rainha da 48ªExposição Agropecuária e Industrial de Londrina?
  Enquanto a resposta não vem e a contagem permanece em aberto, a reportagem da FOLHA mergulha no universo das botas, do couro, das franjas, aplicações, chapéus e muitos detalhes, para matar a curiosidade que envolve o páreo.
História
  Atualmente organizado pela diretoria feminina da Sociedade Rural do Paraná, o Rainha Expo é um ‘‘veterano’’ da agenda social londrinense. ‘‘Os concursos começaram no início da década de 1960, na gestão do presidente Omar Mazzei Guimarães. Na época as candidatas representavam associações, entidades, empresas, que as inscreviam para o concurso’’, revela a diretora, Myriane Berger Prochet.
  Segundo Myriane, a filosofia do concurso sofreu alterações a partir de 1986, quando as candidatas, que outrora eram centenas e encaravam eliminatórias, passaram a ter vínculo com o meio rural.
  ‘‘Para este ano esperamos muito brilho. Pedimos sempre que as candidatas não abusem do decote, do comprimento e da transparência, sempre lembrando que todas estarão usando o traje durante a Expo, transitando entre o público, no Parque’’.
Com a palavra, as rainhas
  Rainha no ano em que ocorreram as mudanças - precisamente em 1986 - a dentista Adriana Victorelli El-Kadre conta que muitas coisas mudaram da época em que ganhou o título para cá. ‘‘Não tínhamos referência e existia muita dificuldade de se encontrar os aparatos necessários, como couro, botas, chapéu. Por isso, fizemos várias viagens a São Paulo’’.
  Fã do concurso - daquelas que só perdem edições por estar em viagem ou grávida -, Adriana, que hoje é empresária, guarda com carinho a faixa e a roupa. E deixa o recado. ‘‘Eu caibo dentro da roupa e, inclusive, a vesti quando minha
conquista completou 10 anos.
A noite que elege a rainha movimenta a cidade e é preciso que mantenhamos a tradição, a confraternização das famílias e a criatividade de cada can-didata’’, defende.
  Eleita em 1999, a empresária Carla Costa Drummond Iasbek tem o DNA correlato à disputa. Sua irmã, Karen, foi Rainha da Exposição dois anos antes, em 1997. ‘‘Tinha 14 anos quando minha irmã foi coroada, vivi intensamente os momentos da Karen, na época. A acompanhava nos ensaios, nas reuniões e até nas provas da roupa do dia do concurso. Entusiasmei-me junto com ela e desde então passei a ter muita vontade em participar’’.
  Com a irmã
e a mãe sempre de olho em sua postura e no sorriso, Carla cursava o primeiro colegial, à época. ‘‘Suei a camisa. Ensaiava diariamente e minha comida era contada e pesada. Estava bastante ansiosa, só
tinha olhos para o concurso’’, relembra.
  Bacharela em direito, Giovana Paduan, 24 anos, tinha uma meta: participar do concurso em 2000, ao lado de mais amigas. Não deu certo. ‘‘Naquele ano, meu pai me vetou (risos). Foi então que o fiz me prometer que eu participaria no ano seguinte, inclusive com uma declaração, com testemunhas e tudo’’, rememora, aos risos.
  Parecia profecia. Em páreo dos mais disputados, no Londrina Country Club, Giovana, que atualmente reside em Curitiba, sucedeu Roberta Setti Meneghel e incorporou a faixa.
  ‘‘Hoje vejo que aqueles momentos foram um sonho de menina absolutamente realizado. O barato de se candidatar é estar junto com as outras meninas, descobrir-se um pouco mais e, claro, dar um chega para lá na timidez. Muitas das minhas melhores amigas conheci nas preliminares do baile, com os ensaios, o clipe’’.
  Na lista de dicas às 16 postulantes ao cetro, em 2008, a rainha de 2001 recomenda a calma. ‘‘É importante se sentir a tal, no dia, mas não somente com o objetivo de ganhar e sim de se divertir e conhecer pessoas novas, que virão a ser suas melhores companhias. Aquela época será sempre uma bela e feliz lembrança em minha vida!’’
  Acadêmica do último semestre do curso de marketing e propaganda, e auxiliar de marketing em uma empresa em Cambé, Flávia Neme Arruda Leite nem cogitava participar do concurso no ano em que ocupou o pódio de Rainha, em 2003. ‘‘Fui ao coquetel de apresentação do evento e, a princípio, seria só uma das garotas da sociedade convidadas para circular durante a festa, comercializando torpedinhos com renda revertida a uma creche. De repente, todas minhas amigas estavam se inscrevendo e me empolguei. Não era um sonho que eu tinha, porém sempre achei muito interessante o baile. Além disso, minha família é de pecuaristas e me identifico com esse meio rural’’.
  O título não esperado, mas bem-vindo, trouxe mais desdobramentos à vida da morena. ‘‘Após ter sido eleita rainha, surgiram várias propostas para fotos, desfiles e tudo isso foi muito gostoso. No mesmo ano em que participei do concurso, a agência de modelos Elite, de São Paulo, convidou-me para fazer parte do casting deles. Até me propuseram participar do seriado de TV Malhação. Optei por terminar meus estudos no colegial e ingressar na faculdade. Mas como me identifiquei com esse meio artístico de desfiles, continuei nessa carreira aqui em Londrina e região’’.

Serviço:
A noite que elege a rainha da 48 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina acontece na quarta-feira, 26 de março, no Buffet Planalto.

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