Mulheres montam protótipo
A presença da mulher no chão da linha de montagem mostra que a indústria acredita no potencial feminino
O ‘‘sexo frágil’’ se destaca e participa diretamente da produçãoSete meses depois de ter participado do lançamento da pedra fundamental da Audi/Volkswagen, junto com o vice-presidente Marco Maciel, o governador Jaime Lerner já fazia o teste do primeiro veículo montado na unidade de São José dos Pinhais. O carro, um Audi A3, foi montado pela primeira equipe de trabalhadores enviados à matriz, na Alemanha, um grupo formado por Simone, Roseli e Fabiane, mulheres que se destacaram no curso de capacitação da empresa e que vão garantindo a presença feminina no chão de fábrica da montadora. Cerca de 20% das vagas na linha de produção serão ocupadas por mulheres
Apesar das diferenças na história pessoal de cada uma, as três primeiras mulheres contratadas como montadoras pela Volkswagen/Audi têm muito em comum. Em uma indústria de mão-de-obra masculina, Simone Oliveira Melo, Roseli Becker e Fabiane Oshikawa têm certeza de que trabalham tão bem quanto seus colegas e muita vontade de progredir. Também elogiam o ambiente na fábrica. ‘‘Somos tratadas com carinho e respeito e nunca sofremos discriminação de qualquer tipo’’, diz Roseli.
Simone, 21 anos, mora em São José dos Pinhais e saiu de uma empresa de cosmésticos para ser montadora na Volkswagen/Audi. Formada na primeira turma do curso do Centro Automotivo, monta chicotes elétricos e vidros laterais, atividade ‘‘bem diferente’’ da que tinha anteriormente, envasando e embalando perfumes. ‘‘No início, estranhei um pouco. Hoje, não vejo dificuldade alguma’’, diz.
Mãe de duas filhas, Roseli Becker Lovato, 35, viu no curso oferecido pelo Centro Automotivo a oportunidade de voltar a trabalhar. ‘‘Parei para ter minha segunda filha, há mais de dois anos, mas a possibilidade de trabalhar nesta nova indústria me motivou. Com dois anos de experiência na linha de montagem de freezers em uma fábrica da região, Roseli afirma que a passagem pelo Centro Automotivo foi muito produtiva. ‘‘Aprendemos muito sobre o trabalho de montador e também sobre o próprio produto. Dificilmente as mulheres têm acesso a tantas informações sobre carros, motores e os sistemas que fazem tudo funcionar’’, argumenta.
Treinada para atuar na área conhecida como ‘‘finishing’’, Fabiane Oshikawa, 21 anos é responsável pelos testes finais de qualidade do carro e confere o resultado do trabalho dos outros montadores, depois que o carro está pronto. Acadêmica do curso de Física da Universidade Federal do Paraná, profissionalmente tem a mesma meta que norteia sua vida pessoal: ‘‘Tentar melhorar, sempre, e nunca parar de aprender’’.

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