Mulheres e idosos são os alvos preferidos dos ladrões
Curitiba - Mulheres e idosos são o alvo preferido dos assaltantes. Em uma rápida enquete, em um dos terminais do Sistema Integrado de Transporte de Curitiba, no bairro Portão, a equipe da FOLHA encontrou três pessoas que já foram vítimas de assalto ou furto e nenhum deles prestou queixa à polícia. A comerciária Francielle Vicente, 19 anos, foi a mais azarada delas. Há quatro meses, passou pela triste experiência de ter todos os seus pertences roubados, enquanto cruzava o túnel do Terminal do Capão Raso.
''Eram dois meninos, mas eles estavam armados'', lembrou a jovem. Roubaram dinheiro, celular, MP4, o tênis que ela calçava e roupas, que havia acabado de comprar.
''Outras pessoas passavam do meu lado, viam o que estava acontecendo e não fizeram nada'', contou. No momento de nervosismo, Francielle diz que nem pensou em pedir ajuda ou denunciar o roubo à polícia. ''Fiquei desesperada. Minha única reação foi ligar para o meu pai ir me buscar.''
Para a jovem o que restou, além do trauma, foi uma lição: olhares atentos o tempo todo e nada de deixar objetos de valor à amostra. Francielle queixou-se da falta de segurança, principalmente, na passagem subterrânea, que, para ela, acaba sendo local propício para a ação dos marginais. ''Tinha que ter guardas nos terminais'', apontou.
A estudante de pedagogia Patrícia Ribeiro Filus, 20 anos, também, mudou de comportamento depois de quase ser vítima de furto, durante viagem em um biarticulado da linha Pinheirinho. ''Não cheguei a ser assaltada porque eu previ'', disse ela.
A estratégia do criminoso foi perguntar as horas. Mesmo desconfiada, Patrícia diz que olhou as horas no celular e o guardou. Não demorou muito para perceber que o mesmo rapaz tentava pegar o celular de seu bolso. Ela conta que se afastou e, antes que tivesse alguma reação, o ''batedor de carteira'' (ou de celular) desceu do ônibus.
Das táticas usadas pelos punguistas, o aposentado Olívio Moreira, 67 anos, está escolado. Não soube precisar quantas vezes teve pertences e dinheiro furtados ao usar o transporte coletivo da Capital, mas lembra bem como foi o último cerco do qual foi vítima.
''Duas gurias se encostaram em mim. Uma delas deixou cair moedas bem na minha frente. Ao me afastar para pegar as moedas a outra colocou a mão no meu bolso'', relatou Moreira. ''Disse para ela que havia escolhido o bolso errado'', satirizou o aposentado.
Moreira acredita que, entre os dias 1º e 10 de cada mês, as pessoas de idade são as mais visadas pelos criminosos, já que é nesse período que, normalmente, as aposentadorias são pagas.
Entre os três, a opinião é unâmime: não existe segurança nos ônibus e terminais e é preciso reforço no policiamento. A FOLHA foi informada pela assessoria de imprensa da Polícia Militar (PM), que a instituição realiza, em Curitiba e região metropolitana, a operação ''Ônibus Seguro''. A assesoria, no entanto, não colocou ninguém em contato para explicar como funciona esse trabalho. (A.L.)





