O universo feminino já rendeu muita obra literária e filme de sucesso. Nos palcos as mulheres também são constantemente representadas. Quem quiser conferir o Festival de Curitiba neste final de semana terá a oportunidade de ver duas montagens que ajudam a compreender um pouco da alma feminina, tanto na comédia como no drama.
Uma delas é "Manual Prático da Mulher Desesperada". Antes mesmo de iniciar as apresentações no festival deste ano (ontem) já haviam sido vendidos 300 ingressos. Isso reflete o sucesso que o espetáculo fez em edições passadas do evento. Ano passado cumpriu temporada no Rio de Janeiro e em 2009 irá para o interior do Paraná e Santa Catarina. Em seguida volta para o Rio para apresentações no Teatro dos Grandes Atores.
No palco, Adriana Birolli (vencedora do troféu Gralha Azul de melhor atriz por este papel), interpreta Alice, uma jovem bonita e bem sucedida que sofre pela falta de um namorado. A história é uma colagem de textos da ácida escritora Dorothy Parker.
O diretor Ruiz Bellenda aborda na peça o desespero da solidão feminina muitas vezes descrito por Dorothy. Mas não pense que você chegará ao teatro para um drama meloso de uma solteirona depressiva. O público encontra uma comédia ágil, em que uma personagem surtada divaga sobre o difícil relacionamento com os homens. Risadas certas em situações cotidianas e interpretação afiada da protagonista. O ator Alex Barg integra o elenco do espetáculo.
Bellenda já havia trabalhado com textos da autora na peça "Dorothy Parker Portátil". Viu que o conteúdo gerava um outro espetáculo e voltou a trabalhar com Adriana Birolli. Ainda este ano eles começam a ensaiar um novo espetáculo baseado em contos de Clarice Linspector, para estrear em 2010.
Araraquara

Vindo de Araraquara (SP), o espetáculo "Damas Horizontais" apresenta a história de três mulheres em um cabaré. Elas falam sobre sonhos, desejos e passado. Neste universo está incluso o sofrimento, a amargura e a felicidade contida no sentimento.
O trabalho de pesquisa incluiu a visita em bordéis de Araraquara e entrevistas com atuais e antigas prostitutas. Também visitaram profissionais de cidades próximas. "A gente descobriu muito mais coisa sobre esse universo", explica a atriz Fabiana Cristina Virgílio. O objetivo era fazer algo não convencional, que não abordasse apenas a protituição. O resultado, segundo a atriz, foi um texto poético em que todas as mulheres se identificam com a história.
Após as primeiras pesquisas o grupo partiu para entrevistas com artistas plásticas, operárias e empresárias sobre a questão da mulher se entregar sexualmente para o homem. "Elas falaram que se sentiam inferiores já que as prostitutas recebiam para dar prazer", conta Fabiana. Foram dois anos de pesquisa. A atriz também dá um aviso: "A peça tem um lado poético mas também crítico". Ficou curioso? "Damas Horizontais" será apresentada hoje, sábado e domingo, no TUC.

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