Mulher quebra a cabeça mas não desiste de votar
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de outubro de 1998
Guto Rocha 
Fundiu minha cabeça. Com esta frase, a dona de casa Juraci da Silva Oliveira, de 58 anos, definiu a dificuldade que sentiu para votar ontem em Londrina . Juraci levou mais de dez minutos para concluir a votação. Juraci chegou acompanhada pelo seu neto, que ficou todo o tempo ao seu lado. Mesmo sendo proibida a permanência de crianças junto a urna, os mesários não impediram. A eleitora chegou em frente a urna e disse que não sabia o que fazer. Os mesários tentavam ajudá-la lendo os nomes dos candidatos que estavam fixados no quadro-negro ao lado da urna. Mas mesmo assim, ela não conseguia votar.
Quando ela identificava o nome do candidato em quem queria votar, a dona de casa não conseguia entender o número dos candidatos, que os mesários liam em voz alta, tentando ajudá-la. Ela pedia para que os números fossem ditados algarismo por algarismo. Juraci tentava encontrar o nome do seu candidato na lista, apontava; apertava os olhos, mas a vista não ajudava. Um dos mesários chegou a pedir para que ela anulasse o voto ou votasse em branco, mas ela insistiu em votar nos nomes que havia escolhido.
Mesmo com toda dificuldade, dona Juraci não perdia o humor e afirmava que queria votar para todos os seus candidatos. Quando encerrou a votação, ela riu aliviada e disse erguendo os braços: Consegui!. Foi uma vitória da persistência.
A dona-de-casa reconheceu que sentiu dificuldades porque não levou a colinha. Ela mostrou santinho que ela segurava na hora de votar, mas não havia preenchido com os números de seus candidatos. Foi muito corrido, acabei esquecendo de anotar os números. Mas não ia perder a eleição. A gente espera quatro anos para votar, queria votar certo, afirmou.


