Muito motivada
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de junho de 2008
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Ganhei um convite para assistir a uma destas palestras motivacionais que estão na moda. Como cavalo dado não se olha os dentes, topei o programa. Achava que, no mínimo, sairia um pouco mais disposta a enfrentar os ''desafios'' do dia-a-dia. Quem sabe não me transformaria imediatamente numa líder de sucesso. Ledo engano!
O palestrante se fazia de comediante e a platéia dava risada. Ele subia e descia uma escada, dançava, imitava galo e mandava o público bater no peito e gritar: ''Eu sou muito especial!''. Usava imagens de impacto, fazia dinâmicas com bexiga e exagerava nas analogias com o reino animal. Provavelmente o público-alvo daquilo era vendedores e empresários. E eu não parava de pensar: ''O que estou fazendo aqui?''.
Não sou fã de auto-ajuda. Não quero diminuir a importância do gênero, nem questiono se funciona ou não. Comigo não. Segredos, queijos, viradas de mesa, técnicos de vôlei... podem dar boas biografias, mas não gosto de suas ''fórmulas de sucesso''. Assisti a um filme com um destes temas uma vez. O cinema estava lotado. A mensagem podia até nos deixar cheios de esperança, mas seus métodos eram impraticáveis. Quem consegue controlar seus pensamentos 24 horas por dia para só pensar (e mais: sentir) coisas boas?
Acho que é fácil demais pensar que sucesso, dinheiro, felicidade, amor, espiritualidade, etc, sejam resultado de uma ''receita de bolo''. Mas não acho a auto-ajuda de tudo inútil, penso que estes livros até podem ajudar alguém numa situação difícil. E pode ser uma boa leitura leve de cabeceira. Para quem gosta.
Ah, com relação a palestra. Me motivei sim. A ir embora no intervalo.


