Muito além do ecochatismo
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sábado, 27 de fevereiro de 2016
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A sustentabilidade empresarial é dividida em quatro pilares: econômico, ambiental, social e cultural. Mas este conceito foi subvertido nos últimos tempos e, quando se fala no tema, as pessoas pensam apenas na questão ambiental. "Ficamos com o conceito do ecochato e esquecemos o pilar econômico, que é tão importante quanto", afirma o professor da Fundação Dom Cabral, Pedro Lins. Ele dará a palestra "Como aumentar o valor da sua empresa", durante a 6ª edição do EncontrosFolha, que o Grupo Folha realiza nesta quarta-feira no Buffet Planalto, com o tema Sustentabilidade Empresarial.
Master em administração pública pela Universidade de Harvard, especialista em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e com MBA em marketing pela Escola Superior de Propaganda em Marketing (ESPM), ele defende o conceito de competitividade sustentável, pelo qual uma empresa deve buscar ser competitiva e sustentável ao mesmo tempo. "Costumo brincar que, se o sujeito não puder fazer sustentabilidade por nada, que faça para ganhar dinheiro", afirma.
Ele cita uma pesquisa feita em Harvard que acompanhou a evolução das ações de várias empresas na Bolsa durante quase 20 anos. "A pesquisa mostrou que as organizações que têm mais ações sustentáveis trazem 45% mais retorno de investimento em relação às que praticam poucas ações de sustentabilidade", conta.
Lins considera que a principal ferramenta de sustentabilidade de uma empresa é a "consciência de seus líderes". "Empresa é um ser inanimado. É um contrato social de ativos. Não existe uma empresa sustentável. As pessoas que estão nessa empresa é que assumem uma postura sustentável em nome dela", ensina.
O professor cita ferramentas a serem adotadas por uma empresa que pretende ser sustentável: governança corporativa, accountability (prestação de contas), compliance (respeito à legislação). "A gente vê grandes empresas que acabam perdendo solidez por não agirem de maneira correta e outras pequenas que são sólidas, centenárias, porque levaram esse processo para dentro de suas missões", compara.
Questionado se o Brasil vem evoluindo em termos de sustentabilidade empresarial, ele se mostra otimista. "Estamos avançando muito. Pelas minhas experiências internacionais, eu posso garantir que hoje as empresas brasileiras são benchmark (exemplo a ser seguido) em vários segmentos. E cada vez mais a sociedade, como a Folha de Londrina, vem discutindo o assunto. As empresas que não se atentarem para a sustentabilidade estarão fora do mercado", ressalta.




