A concentração das crianças chama a atenção de quem passa pela porta da sala de aula do Jardim 3. Compenetrados, os pequenos alunos não perdem os detalhes das explicações da professora Najah Mousmar, que os guia nos primeiros passos na aprendizagem do árabe. Sim, do árabe. E a reportagem não precisou atravessar o oceano para encontrar a cena: ela já é rotina há dois anos na Escola Brasileira Árabe de Curitiba, que tem alunos de 1 a 5 anos de idade.
A escola nasceu da idéia de oferecer à comunidade muçulmana da capital uma oportunidade diferente de ensino, que além das matérias básicas encontradas nos colégios brasileiros - como português e matemática - fizesse com que os filhos vivenciassem a cultura de seus pais. E esse diferencial foi determinante na escolha da empresária Carolina Raad, mãe de um filho de 5 anos e uma filha de 3. ''Aqui eles podem aprender a língua naturalmente, além de estar em contato com a cultura do pai, que é libanês'', avalia. A opinião é compartilhada pela dona de casa Amal Shahla, que está há 5 anos no Brasil. ''É importante que meu filho aprenda o árabe e que esteja em contato com a prática da nossa religião'', argumenta.
Para a empresária Anne Caroline Atoui, a situação do cotidiano das grandes cidades faz com que a educação dos filhos mereça atenção especial. ''Viver em uma capital é perigoso, então aqui nossos filhos podem se voltar mais para a religião, para os valores da família, que farão diferença lá na frente'', prevê.
Apesar dos princípios, o diretor Jamil Ibrahim Iskandar conta que a escola não é exclusiva para a comunidade muçulmana. ''Estamos abertos a alunos de qualquer religião, aliás muitos pais nos escolhem por causa do ensino consistente. Não impomos que a criança aprenda o islã ou a língua, só deixamos claro que o local tem princípios islâmicos'', revela. E o que seria uma escola com princípios islâmicos? Jamil explica que é um espaço que segue o que a religião prega, como não comer carne de porco e respeitar os momentos de oração. ''Nossa grande preocupação é com o respeito às diferenças, a formação que dá valor à ética e à intensa participação dos pais'', destaca Jamil.
Uma grande interação entre escola, pais e alunos também é a proposta do Colégio Suíço Brasileiro, com sede em Pinhais há 27 anos. Na tradicional grade curricular brasileira estão incluídas também aulas de alemão, inglês e francês. No Ensino Médio, além de preparar para os vestibulares nacionais, os alunos podem obter o IBO (Diploma do Bacharelado Internacional), que abre caminho para universidades internacionais. Mas para o diretor geral, Bernhard Beutler, a filosofia que estimula o aprendizado com ''cabeça, coração e mãos'' é a grande marca. ''Não basta apenas que o aluno aprenda, mas saiba desenvolver, interpretar. Ele precisa conhecer o que está fazendo'', avalia.
No colégio, 70% do alunos são brasileiros cujos pais buscam uma educação diferenciada para os filhos. É o caso da fisioterapeuta Mariley Pinto Marcondes Ribas. ''Optei por colocá-la aqui por ser uma escola bilingue, português e alemão, e ainda ensinar inglês e francês. Isso é ótimo pois aumenta o contato dela com outras culturas. Como hoje em dia a maioria das empresas pede uma segunda língua e o inglês já está massificado, ela terá um diferencial sabendo o alemão. Além de poder fazer faculdade em outros países por causa do IBO'', enumera. A filha Natália, de 10 anos, está na 4 série. E aprovou a escolha da mãe. ''Acho legal aprender várias línguas e coisas que as outras escolas normais não ensinam. Sem falar nas atividades como música e artes. É bem divertido'', resume.
Para o empresário Antônio Carlos Ferreira, que tem dois filhos estudando no colégio, a formação globalizada possibilitada aos alunos é o que atrai. ''Hoje em dia, tão importante quanto ter um diploma de faculdade, é possuir uma visão diferente do mundo, que abra caminhos. É o que um pai quer para seus filhos, o melhor'', avalia.

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