O processo de desmatamento do Norte do Paraná, nos últimos 80 anos, levou à extinção de diversas espécies da fauna e da flora. Dentre os animais nativos que hoje não são mais encontrados estão a onça pintada (o terceiro maior felídeo do mundo) e o cachorro vinagre (ainda presente em algumas áreas da América Latina). Segundo o biólogo Eduardo Panachão, algumas espécies da flora podem ter sido extintas na região antes mesmo de serem catalogadas.
"Com certeza, muitas espécies entraram em extinção por causa da devastação. Foi uma perda gigantesca para a biodiversidade e para o equilíbrio ecológico da região", avalia Panachão. "Hoje, temos apenas alguns fragmentos de mata. Temos que preservar porque é tudo que restou do que era original."
Entre os remanescentes de mata nativa no Norte do Paraná, estão a Mata dos Godoy, Parque Arthur Thomas, Parque Daisaku Ikeda e Fazenda Figueira (em Londrina), a Mata São Francisco (entre Cornélio Procópio e Santa Mariana) e algumas propriedades na região de Rolândia, dentre outras. Em Londrina, segundo a SOS Mata Atlântica, foram preservadas 12% das matas nativas. Algumas espécies de árvores comuns há 80 anos, como jequitibá e peroba, hoje são raras e encontradas, na maior parte, apenas nestes fragmentos.
Segundo o biólogo, a perda de biodiversidade também reduziu a possibilidade de utilização de plantas na produção de remédios e outros bens úteis à sociedade. "Sabe-se que de 40% a 60% dos remédios vêm diretamente de espécies vegetais ou animais; portanto, pode ter um monte de medicamentos à nossa disposição por aí que ainda nem conhecemos", diz Panachão.

mockup