Mudanças rápidas pegam londrinenses de surpresa
O arquiteto e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Eduardo Suzuki, relembra a intensa ocupação da Avenida Higienópolis por edifícios, no início da década de 1980, que deu a Londrina o título de capital brasileira da verticalização.
A cidade se caracteriza pela existência de ciclos, evidenciando o seu dinamismo e mudando com muita rapidez as paisagens urbanas. O último desses ciclos, lembra, teve como palco a Zona Sul, com a intensa urbanização da Palhano e surgimento dos condomínios horizontais.
Mas tanta transformação preocupa o urbanista. Londrina tem algumas características que precisam ser preservadas, como os fundos de vale e as áreas verdes que ainda existem nas imediações dos lagos. Esta topografia diferenciada encanta quem vem de fora. Não podemos perder isso. Temos que pensar a cidade como um grande quadro, em que tudo deve estar em harmonia. Temos que pensá-la como um bem coletivo, que todos possam usufruir. Ele defende que maiores investimentos sejam feitos em áreas de convivência ao ar livre, como parques.
Para Suzuki, as rápidas mudanças que pegam até os londrinenses de surpresa poderiam estar melhor respaldadas pelo poder público em termos urbanísticos e estruturais. A contrapartida oferecida pela máquina do município está aquém do tamanho da cidade, observa o arquiteto, que já integrou o quadro do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul).
Como exemplo, ele cita a facilidade com que se formam pontos de congestionamento no trânsito da cidade, em uma demonstração de que a situação está chegando ao limite. Estamos atrasados em termos de recursos para desafogar os grandes eixos rodoviários, diz. (S.L.)





