Londrina – As regras que nortearão o cultivo de cana-de-açúcar no Paraná dividem as áreas de cultivo em duas grandes categorias: as mecanizáveis (com extensão superior a 150 hectares e declividade inferior a 12%) e não mecanizáveis (extensão de até 150 hectares e declividade superior a 12%).
A resolução que deve entrar em vigor a partir do ano que vem define o ano de 2015 para que os produtores reduzam em 20% as áreas com uso de queimadas nas lavouras mecanizáveis. Até 2020 estas áreas devem ser reduzidas em 60% e até 2025 a técnica de despalha com fogo deve ser eliminada. Nas áreas não mecanizáveis o prazo para abolir as queimadas termina em 2030.
‘‘É um problema que temos que encarar de frente, não dá para postergar. É preciso, porém, adotar tecnologias capazes de substituir as metodologias antigas de produção com o menor impacto social pos-sível’’, defende o secretário estadual do Meio Ambiente, Jorge Augusto Callado Afonso.
As discussões em torno do assunto vêm acontecendo há meses e envolvem representantes de várias secretarias de estado, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Instituto Ambiental do Paraná (IAP), além de federações e associações ligadas à indústria e à agricultura.
Segundo dados da Associação dos Produtores de Álcool do Paraná (Alcopar), 80 mil trabalhadores dependem do cultivo da cana-de-açúcar no Estado. O processo de mecanização começou há quatro anos, e hoje está presente em cerca de 30% das lavouras. Entre os motivos que levam à aquisição de máquinas, de acordo com a entidade, está a falta de mão de obra.
‘‘Durante a safra, os produtores buscam trabalhadores em outros Estados, como Minas Gerais, Pernambuco e Alagoas, para suprir a necessidade local. De seis a sete mil cortadores vêm de fora’’, lembra o superintendente da Alcopar, José Adriano da Silva Dias.
Ele explica que as duas técnicas – mecanizada e manual – têm suas vantagens e desvantagens. ‘‘O uso de máquinas exige, por exemplo, outro tipo de plantio, mais espaçado. Por isso o número de pés por hectare é menor.’’
Outras características da lavoura mecanizada são a menor longevidade do canavial e o grande volume de palha, que pode abafar a germinação das novas plantas, além de favorecer o armazenamento de insetos e outras pragas. ‘‘Mas tudo é contornável’’, defende Dias.
O investimento inicial é alto, de acordo com o superintendente da Alcopar. Em compensação, com o tempo a colheita mecânica torna-se mais econômica, pois uma máquina substitui o trabalho de 80 a 120 homens.
Dias revela que até hoje não tem certeza do que é mais danoso: os efeitos da despalha da cana feita com fogo (uma espécie de limpeza para facilitar o corte manual) ou a decomposição da palha deixada pelas máquinas.
‘‘O fogo emite gás carbônico, mas a palha acumulada também emite gases tóxicos, inclusive o metano, que ainda mais prejudicial que o gás carbônico, que durante a fotossíntese é transformado em oxigênio’’, observa. Segundo o superintendente, porém, o que ‘‘chateia’’ na despalha é o carvão emitido. ‘‘Mas comprovadamente ele não causa dano à saúde pública.’’

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