MUDANÇAS NO CAMPO - Estudo compara custos e produtividade
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de dezembro de 2010
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Um estudo de doutorado ainda não publicado da Universidade Estadual de Londrina (UEL) antecipa os reflexos da substituição da colheita manual para a mecanizada nas lavouras de cana-de-açúcar na região de Bandeirantes (Norte).
No trabalho, além dos efeitos da mecanização, o pesquisador Eurípedes Bomfim Rodrigues faz um comparativo de custos e produtividade entre cortadores de cana e máquinas.
Segundo o estudo, a prática da despalha da cana-de-açúcar pela queima é comum antes da colheita e defendida pelos próprios trabalhadores, seja pela redução dos riscos de ferimentos com a palha e picada de insetos, seja pelo maior rendimento.
A produtividade do trabalhador com a colheita manual da cana crua cai muito. De seis toneladas, para três toneladas por dia por empregado, explica.
Por outro lado, a colheita mecânica da cana crua é economicamente mais eficiente, com menores custos de produção. Se compararmos a colheita manual com queima e a mecanizada sem queima, a primeira custa R$ 8,90 por hectare. Já a segunda custa R$ 6,22 por hectare. Observa-se a redução de 30,17% no custo da operação do homem para máquina. Conforme os dados, estima-se que após a colheita de pouco mais de 3 mil hectares, o valor gasto com a compra da colhedora seja reposto.
Em São Paulo a mecanização está avançada, e, no Paraná, Rodrigues acredita que também esteja próxima de acontecer. A mecanização está sendo impulsionada pelas usinas de açúcar e álcool, que fez aumentar a escassez de mão de obra. Somado a isso, há ainda a pressão ambiental aliada à redução dos custos que a máquina proporciona. Acredito que em cinco anos o Estado esteja quase 100% mecanizado, excluindo as áreas que não conseguirão receber as máquinas, explica.
Mas se tudo caminha para mecanização, os problemas oriundos não estão sendo discutidos. O Paraná é o segundo maior produtor nacional de cana-de-açúcar, sendo que em várias cidades, como Bandeirantes, é a principal atividade agroindustrial. Levantamentos apontam que esse ramo é responsável por cerca de um milhão de empregos diretos. A mecanização não conseguirá absorver todas essas pessoas.


