Mudança na alimentação ajuda na radioterapia
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de março de 2004
France Presse 
Uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3 traz um benefício real no tratamento dos tumores por radioterapia, segundo pesquisa feita em ratos por cientistas franceses, que em breve deverão realizar a experiência em humanos.
Um teste clínico com 50 pacientes com câncer de reto cirurgicamente tratável começará em abril em dois centros médicos das cidades de Tours e Nantes. Segundo o responsável pela trabalho, Philippe Bougnoux, do Instituto Nacional Francês de Pesquisas Médicas (INSERM), a dose suplementar de ômega-3 será administrada em forma de cápsulas (12 por dia) nos dias anteriores à irradiação terapêutica. Eles receberão uma dose diária equivalente a 24 vezes à que se encontra na alimentação normal (100 mg por dia). Os primeiros resultados da investigação estarão disponíveis em 2005.
O ômega-3 está naturalmente presente nos alimentos de origem marinha, como os peixes (especialmente a sardinha e o salmão). Após pesquisa feita em ratos, a equipe de Philippe Bougnoux concluiu que uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3 (40%) permite obter uma regressão de 60% no tamanho dos tumores de mama doze dias depois do início da radioterapia em animais que receberam o complemento alimentar. A regressão foi de apenas 31% nos que não receberam.
Os resultados da investigação são publicados no International Journal of Cancer. Mas Severine Colas, co-autora da pesquisa, avisa que ''se for acrescentado um suplemento de vitamina E (antioxidante), o efeito do ômega-3 é anulado''.
A equipe francesa estuda há quinze anos os elementos da alimentação relacionados com a proteção contra os riscos de câncer. ''A composição de lipídios do tecido adiposo é uma demostração de nossos hábitos alimentares bons (ricos em frutas, hortaliças, carnes magras...) ou maus'', lembrou Bougnoux.
A riqueza de ômega-3 DHA neste tecido aparece associada a uma maior proteção contra o câncer de mama. Os cientistas demonstraram, ainda, que cânceres de mama em mulheres com gordura pobre em DHA resistem à radio e quimioterapia (de tipo antraciclina).


