A mesa e o sofá da sala de estar de Adilio Alves Santos, 30, foram feitos pelo próprio, com papel reciclável. "Se você não quiser mais o armário, amassa e joga fora", explica. A sua geladeira, porém, é uma tradicional Consul. "Não daria para fazer de papel por conta da umidade", justifica. O seu trabalho do dia-a-dia é o de designer de embalagens, em um estúdio em que trabalha com o irmão do meio, o Didus, localizado nos fundos de casa.
Foi Didus quem cozinhou o feijão e a carne de panela com calabresa guardados na geladeira. Mas foi Edson, o irmão mais velho, o introdutor de hábitos mais saudáveis na casa. Coisa de três ou quatro anos atrás, quando ainda morava com os mais novos. Responde por Bold, do inglês negrito. "Foi o apelido que ganhou quando entrou no lugar do Didus na agência. Virou o Didus Bold", conta Adilio, que por sua vez ganhou a alcunha de Small Caps, fonte caixa baixa, quando assumiu a vaga de Bold. "É a família da fonte", brinca.
Antes que os apelidos nos façam perder o rumo, voltemos aos hábitos saudáveis introduzidos por Bold. Era uma época em que a geladeira tinha tão poucos itens quanto a de Carlinhos Kenji, personagem da coluna passada, que conheceu em uma agência de publicidade. "Era casa de marmanjo, sabe? A geladeira só servia para cerveja. Como o Bold é vegetariano, começou a mudar esse negócio de comer só junk food." Small suspeita, inclusive, que um pizzaiolo deve ter sido demitido quando pararam de jantar diariamente no restaurante ao lado da casa. O ímã da pizzaria hoje é elemento apenas decorativo da Consul. Mesmo que Small ainda use a pizzaria de ponto de referência para acharem a sua casa, o restaurante já mudou de nome há oito meses. "É, tenho que me acostumar com isso."
Aos 23 anos, ele parou de fumar, pensando no filho menor, então com três anos. Hoje, Denis tem 10. Juliano, 2. "Trabalhava em uma agência e estávamos fazendo um material de uma campanha anti-tabagista. Que o cigarro é obviamente uma furada, todo mundo sabe. Mas vendo todas aquelas pesquisas decidi mesmo parar." Montanhista, Small entende também que mochilão nas costas e a pregação por sustentabilidade não combinava com o Malboro na boca.
Para este 2009 a proposta era parar de beber. Por enquanto, a vodca continua no freezer. "Mas tou dando uma diminuída." O complicado, ele explica, é quando você associa a bebida com o trabalho, o "drink para trabalhar". Dia desses viu uma pesquisa que explica que se você ingere álcool por 30 dias acontece alguma coisa que ele não lembra exatamente o que é. Mudança de hábitos. "Não queria me ver aos 30 tomando cerveja e comendo junk food. Tenho dois filhos para criar."

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