O poder de fogo eleitoral do Movimento dos Sem Terra (MST) em favor do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, ainda está limitado aos municípios nos quais existem acampamentos grandes, com mais de mil famílias. Um estudo feito pelo cientista político César Romero Jacob, da PUC do Rio, sobre dados das eleições presidenciais de 1989 e 1994 e do número de famílias envolvidas em ocupações de terra no período, aponta que a votação de Lula cresceu nos lugares onde a atividade do MST foi mais intensa - mas isso foi pouco.
‘‘O MST ajuda o Lula, mas não decide a eleição’’, define ele, que usou como base os dados do Atlas Eleitoral do Brasil, do qual é um dos autores, e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Dos 301 municípios nos quais houve invasão de 1989 a 1994, a votação de Lula cresceu em 240 e caiu em 43. Como, na verdade, o petista aumentou seu porcentual de votos de uma eleição para outra na maioria dos municípios, Jacob decidiu investigar se, nas cidades com acampamentos do MST, esse aumento acompanhava a tendência geral.
Conclusão: enquanto Lula cresceu em 80% dos municípios brasileiros, ele aumentou a votação em 85% dos lugares com ocupações. Em contrapartida, onde havia tendência de queda, como, por exemplo, no Rio Grande do Norte, Lula também cai mais do que sobe nas cidades sob a influência do movimento. ‘‘Os municípios com ocupações têm, em geral, um colégio eleitoral pequeno, que não influencia a média do Estado e menos ainda interfere no quadro nacional’’, aponta Jacob.
‘‘As eleições presidenciais ainda são decididas pelas grandes áreas metropolitanas, embora possamos observar que, a longo prazo, o MST pode mudar o perfil eleitoral coronelista e de cabresto do interior.’’ O fato de a tendência de crescimento dos eleitores de Lula ter aumentado em 5% em relação à media nacional nos municípios com ocupações leva a uma outra conclusão: a tática agressiva dos sem-terra não atrapalha o desempenho do candidato petista - pelo menos na última eleição presidencial isso não ocorreu.Arquivo FolhaInvasão em Teodoro Sampaio (SP): violência é antipáticaEliane Azevedo
Agência Estado

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