O diretor de operações do Sebrae/PR Julio Cezar Agostini será um dos painelistas do EncontrosFolha
O diretor de operações do Sebrae/PR Julio Cezar Agostini será um dos painelistas do EncontrosFolha | Foto: Luiz Costa/Sebrae-PR



Uma força que responde por 98% do total das empresas do Brasil precisa de um ambiente adequado para prosperar. A Lei Geral das MPEs (micros e pequenas empresas), aprovada em 2006, foi criada para incentivar a consolidação de condições mais favoráveis aos pequenos negócios. O documento estabelece algumas diretrizes para garantir longevidade e crescimento a essas pequenas gigantes que respondem também, de acordo com o Sebrae, por 60% da massa salarial do País, de 40% a 50% dos postos de trabalho e 20% a 25% do PIB (Produto Interno Bruto). O tema faz parte de um dos painéis do EncontrosFolha, que será apresentado pelo diretor de operações do Sebrae/PR, Julio Cezar Agostini.

O painelista explica que a crise econômica costuma provocar mudanças no mundo das pequenas empresas e empreendedores ainda sem firmas constituídas. "Aumenta o número de pessoas que empreendem por necessidade e não por oportunidade", diz, referindo-se à parcela de empreendedores que investem em um novo negócio porque perderam o emprego e precisam de renda. "Quando a economia estava aquecida, a taxa de empreendimentos por oportunidade chegou a 71%. Com a crise, houve uma queda dramática, para 57%", comparou.

Neste contexto, a lei da MPEs impôs vantagens aos empreendedores que abriram negócios para manter a renda, principalmente pela possibilidade de se estabelecer como MEI (microempreendedor individual), um dispositivo criado em 2008 como complemento da Lei Geral. "O objetivo inicial era incentivar a formalização dos negócios, mas em um contexto de crise a lei do MEI se mostrou extremamente útil para dar aos desempregados a oportunidade de empreenderem com segurança jurídica", opinou, lembrando que o Sebrae foi o grande articulador de ambas as legislações.

O crescimento no número de MEIs abertas no Estado comprova a análise. Enquanto em 2015 o Paraná contabilizou 72,3 mil novos negócios tocados por microempreendedores individuais, o número saltou para 77,4 mil em 2016 e deve chegar a 80 mil em 2017. "Os números crescentes são reflexo direto da lei", reforçou.

A Lei Geral das MPEs também traz outros capítulos relacionados à criação de um ambiente favorável para o desenvolvimento de negócios. Os principais contemplam temas como desburocratização, acesso ao crédito, tributação, associativismo empresarial, educação empreendedora, acesso à inovação e acesso à justiça. "Todos eles precisam ser trabalhados para facilitar o ato de empreender e garantir que as empresas já existentes sejam sustentáveis e competitivas mesmo na crise", diz.

Agostini destaca que o Paraná inovou ao incentivar a criação de 130 comitês municipais cujo objetivo é criar um ambiente integrado para negócios de pequenas empresas a partir do estabelecido pela Lei Geral, unindo na mesma pauta lideranças empresariais e poder público. Com isso, a avaliação do ambiente do Estado passou da nota 3,5 em 2016 para 6,5 em 2018.

Dois segmentos, segundo ele, estão bombando na crise: startups e as chamadas empresas de alto potencial. "São negócios com características de inovação e que apresentam diferenciais de mercado", explica, destacando que, enquanto os MEIS estão na base da pirâmide, estes segmentos estão no topo.

Imagem ilustrativa da imagem MPEs precisam de ambiente favorável para crescer



INCENTIVO À INOVAÇÃO
Heverson Feliciano, gerente regional do Sebrae/PR em Londrina, destaca que o Brasil não é apontado pelos indicadores nacionais como um bom lugar para empreender. A avaliação é geral, referente a grandes e pequenos negócios, mas a Lei Geral das MPE foi desenvolvida para sanar as dificuldades desse setor específico.

Um dos principais gargalos é a burocracia, por isso, a lei prevê ações para desburocratizar. "Londrina tem um trabalho sério em relação a isso, focado em uma comissão que busca a simplificação dos processos tanto para abrir como para fechar uma micro ou pequena empresa. A ideia é facilitar a vida de quem quer montar um negócio", diz, lembrando que não é aceitável esperar seis meses para conseguir um alvará. "Em seis meses a oportunidade pode passar", aponta.

"A inovação mantém competitividade do negócio e garante longevidade às micros e pequenas empresas", defende Heverson Feliciano, gerente do Sebrae/PR em Londrina
"A inovação mantém competitividade do negócio e garante longevidade às micros e pequenas empresas", defende Heverson Feliciano, gerente do Sebrae/PR em Londrina | Foto: Aron Mello/Sebrae-PR



Outra aposta da Lei Geral é a inovação, o que impõe necessidade de criar ecossistemas que permitam às empresas inovarem tanto em novos processos como novos mercados. "A inovação mantém competitividade do negócio e garante longevidade às micros e pequenas empresas. O produto passa a ter valor agregado maior, o empresário paga salários maiores e recolhe mais impostos. É o que chamamos de ciclo virtuoso", destaca. A Lei Geral, segundo Feliciano, prevê a criação de fundos de inovação e a transferência de tecnologia entre centros de pesquisa para pequenas empresas. "Londrina se destaca na criação de incubadoras e aceleradoras", exemplifica.

Em complemento ao incentivo à inovação, o gerente regional do Sebrae destaca a importância do acesso ao crédito, que considera fundamental para que os pequenos negócios possam investir em novos produtos e mercados. "Londrina e região contam com uma das seis sociedades garantidoras de crédito do Paraná", relata, referindo-se a entidades que avalizam financiamentos para MPEs.

O incentivo à exportação é um dos caminhos previstos na legislação para ampliar mercado às MPEs, assim como as chamadas compras públicas. "Dentro da lei, é possível estabelecer que as entidades públicas priorizem compra local e compra de MPEs, o que melhora a competitividade", diz. Em Londrina, o mercado de compras é de R$ 1,5 bilhão por ano, mas só 14% ou 15% ficam com empresas do município.

Outro item destacado na Lei Geral é o associativismo. "O problema não é ser pequeno, mas estar sozinho", diz ele, reforçando que entidades de representação e centrais de negócios são dispositivos importantes para que as PMEs acessam benefícios.

Por fim, Feliciano cita a educação empreendedora – incentivada em atividades que podem ser realizadas da educação fundamental à universidade – como um fator importante para tornar o ambiente cada vez mais favorável ao empreendedorismo. "O objetivo não é só aprender a montar negócios, mas incentivar mudanças de comportamento, desenvolvendo pessoas ousadas, com iniciativa e autônomos. O empreendedor é dono da própria vida", enfatiza. Em Londrina, a metodologia para desenvolvimento do empreendedorismo nas escolas é aplicada em toda a rede municipal, além de instituições particulares e de ensino superior. "Essa iniciativa dará frutos daqui a uma década, quando teremos pessoas que sonham e buscam realizar esse sonho", antecipa.

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