Movimento desvaloriza residências
A casa da aposentada Maria Teresa Ziliotto, de 62 anos, treme. Culpa dos caminhões e ônibus que passam em alta velocidade na Rua Major Heitor Guimarães, onde ela mora há 42 anos. Na hora de asssistir televisão, o volume precisa ficar bem alto. ''Ficou difícil viver aqui, o sossego acabou'', desabafa. Segundo ela, às 4 horas da madrugada começa o movimento e fica difícil dormir. Pior ainda nos fins de semana, quando os netos a vem visitar. ''Coloco o cadeado no portão e mesmo assim tem que ficar de olho'', conta.
Problema também na hora em que a filha, Marinei Ziliotto, chega para trazê-la. ''Como minha mãe tem dificuldades para andar, preciso subir com o carro na calçada para ela descer, mesmo tendo espaço para estacionar na rua. Se eu parar ali, não dá para abrir a porta porque há risco dela ser atropelada'', explica Marinei.
E o tráfego de veículos pesados no local já rendeu outras situações perigosas. Uma carreta, que parou no sinaleiro da Aveninda Pedro Viriato Parigot de Souza, não conseguiu arrancar quando o sinal abriu e, de ré, quase invadiu uma casa. ''Falam tanto em qualidade de vida, mas será que isso é possível com um tráfego desses na porta de casa?'', contesta o médico Roberto Silveira de Moraes. ''Para morar aqui, não dá mais, tanto que já coloquei a casa para vender. Só estou esperando quem pague o que estou pedindo'', conta Maria Ziliotto.
De acordo com a gerente de engenharia do trânsito Rosângela Battistella, a Rodonorte, concessionária responsável pelo pedágio da rodovia que leva até a Major Heitor, já está orientando os motoristas de caminhões pesados para que desviem pelo Contorno Sul. As exceções são abertas para carretas que precisam descarregar carros nas concessionárias de automóveis da Avenida Mário Tourinho.
Quanto ao movimento, que subiu de 300 para 2 mil veículos/hora, em horários de pico, a gerente afirma que são consequências do progresso. ''Acaba desvalorizando a área residencial, mas por outro lado valoriza comercialmente. São mudanças decorrentes da evolução na região'', analisa.





