Movimentação bilionária e muita vontade de crescer
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sábado, 10 de dezembro de 2005
Reportagem Local 
São cifras bilionárias, que mostram uma economia forte e pujante, capacidade de investimento, pessoas trabalhando e poupando sem fazer alarde, mas com muito
arrojo e confiança no potencial
da cidade.
Londrina registra atualmente uma movimentação bancária mensal de aproximadamente
R$ 1,5 bilhão, segundo dados
do sistema bancário. É dinheiro que circula nas contas correntes dos londrinenses, volume de depósitos que vem crescendo
nos últimos meses.
Mas se esse número já impressiona, mais surpreendente ainda é saber que o montante de aplicações bancárias, em Londrina, ultrapassa os R$ 10 bilhões no período de um ano. Uma poupança que coloca a cidade entre as 10 principais praças do País em quantidade de recursos investidos no mercado financeiro. Não é à toa que mais de 20 bancos estão instalados em Londrina, com 65 agências espalhadas por todo o município.
São dados impressionantes, mas não me surpreendem, afirma o imobiliarista Raul Fulgêncio, empresário que capitaneou uma das maiores transações imobiliárias de Londrina nos últimos tempos. Foi ele quem articulou a negociação da área de 10 alqueires, na
Zona Leste, onde era a antiga Anderson Clayton.
O imóvel vendido pela Indústria Coinbra S/A para um grupo de investidores articulados por Fulgêncio, teve um detalhe
muito interessante: um dos compradores é um empresário
da construção civil nos Estados Unidos, um norte-americano que não conhecia Londrina e apostou na cidade baseado em informações que lhe foram apresentadas. Entre a aquisição do terreno e o empreendimento projetado para o local, o imobiliarista calcula que o investimento do grupo passará
de R$ 50 milhões.
Raul Fulgêncio destaca que em Londrina não falta dinheiro. O que a cidade precisa mais é de ousadia e criatividade, de bons produtos para fazer o dinheiro migrar da poupança para as atividades produtivas. Boas idéias, com negócio de qualidade, o mercado absorve, ressalta.
Nesse aspecto, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), José Augusto Rapcham, vê um novo cenário começando a se firmar na cidade: a substituição no comando de grandes empresas londrinenses, com uma nova geração assumindo a frente dos negócios de famílias que formaram riquezas com muitas décadas de trabalho.
É um fator recente, diria dos últimos cinco anos. Filhos e netos de famílias capitalizadas passaram a administrar os negócios, mudando o perfil de investimentos. São jovens altamente preparados e qualificados, que herdaram o arrojo dos pais e avós, mas que procuram e criam oportunidades de negócios no setor produtivo, muitos inclusive levando o dinheiro da poupança para atividades industriais de alto valor agregado, analisa Rapcham.
Esse novo perfil econômico da cidade, acrescenta o presidente da Acil, abre uma perspectiva promissora para a cidade, consolidando de vez os setores comercial, industrial e de serviços, que passam a ter mais peso do que a agropecuária - a grande propulsora do rápido desenvolvimento da economia londrinense.
Londrina vive um bom momento, fortalecido por essa vocação recente. A nova geração utiliza o capital para investir naquilo que dá mais margem, retorno maior. São pessoas que prospectam negócios e não apenas aproveitam as oportunidades, constata Rapcham. Para ele, isso aquece a economia, permite uma melhor distribuição de renda com a criação de empregos e o consumo e também contribui para o aumento da movimentação bancária e da poupança, com o reinvestimento do capital gerado nas novas atividades.
É um ciclo virtuoso, na opinião do superintendente de negócios da Caixa Econômica Federal, Roberto Luiz Bachmann. Se os empresários investem na produção, geram empregos e renda, o consumo na cidade aumenta e cria demanda para a indústria. Portanto, há espaço para crescimento da economia. Com o resultado do investimento, há uma tendência de aumento da poupança e isso também faz crescer a disponibilidade de recursos para financiar a atividade produtiva, sintetiza Bachmann. Segundo ele, entre 75 superintendências da Caixa
em todo o Brasil, Londrina
situa-se entre as 10 maiores
na média de resultados.
Bachmann também concorda que está ocorrendo uma profissionalização do mercado, com novos gestores assumindo as empresas e adotando visões mais modernas. Londrina tem um sistema de ensino consolidado, com cursos de graduação e pós-graduação reconhecidos nacionalmente. As novas gerações estão aproveitando bem esse potencial e levam para as empresas um processo de renovação, com possibilidade de influenciar positivamente nos negócios. Isso é muito positivo para a economia e para a cidade como um todo, analisa o superintendente da Caixa, que enxerga hoje em Londrina todo um processo de crescimento convergente, com investimento maciço da Prefeitura e governos federal e estadual em obras públicas de infra-estrutura, números positivos na economia, empreendedorismo da
classe empresarial e
muita disposição para o desenvolvimento da cidade.
O empresário Herson Rodrigues Figueiredo Filho, diretor da Pepilon Indústria de Cosméticos, percebe que a nova geração está mais preocupada em fazer Londrina crescer, sem se ater às questões políticas. Vejo o empresariado com a cabeça mais aberta, com boas idéias e muita vontade de fazer a economia londrinense se desenvolver. Isso já está fazendo e vai fazer ainda mais a diferença. Independente da política, os empresários vêm se dedicando a investir no setor produtivo, para melhorar a condição social da cidade. Sem interesse pessoal, o londrinense quer fortalecer a cidade, ampliar as condições da qualidade de vida, destaca. O empresário chama a atenção, entretanto, para a necessidade de pequenos cuidados e detalhes, obras de embelezamento e retoque que deixariam Londrina ainda mais atrativa e melhorariam ainda mais a imagem da cidade.
Somando-se os indicadores econômicos, os avanços na área social, a qualidade de vida, a bilionária movimentação e a poupança bancárias, as obras de infra-estrutura, a empreendedorismo das antigas e novas gerações e a disposição de crescer, está criada a grife londrinense. Londrina é desenvolvimentista, Londrina é resultado, sentencia o imobiliarista Raul Fulgêncio.
É impressionante o número de pessoas que recebo com interesse de morar aqui, de investir na cidade. Isso é animador para o mercado, complementa. O presidente da Acil, José Augusto Rapcham, é taxativo: Não existe essa conversa de cidade parada, estagnada. A economia londrinense está aquecida, a riqueza circula mais entre a população e alavanca negócios, criando empregos, distribuindo renda e aumentando a qualidade de vida. Londrina está na moda, completa Fulgêncio.
Mais de R$ 10 bilhões anuais em poupança colocam Londrina entre as 10 principais praças do País em quantidade de recursos investidos no mercado financeiro
No PIB per capita, cidade despontou com um crescimento de cerca de 30% no período de 2000 a 2003


