Motoristas estão mais conscientizados do que pedestres
Arquivo FolhaTalvez pela dificuldade em ser multado a pé, os pedestres continuam desafiando os carros e desrespeitando a sinalizaçãoAdriana Ribeiro
O novo Código de Trânsito Brasileiro não foi uma receita mágica que sanou todos os problemas do trânsito no País. Mas ele trouxe melhoras, na opinião de motoristas e pedestres que vivem de perto o dia-a-dia das ruas e estradas. E são principalmente os motoristas que mais se adequaram às novas regras. Os pedestres formam ainda o grupo que mais precisa de conscientização.
Cassio Taniguchi, prefeito de Curitiba, acredita que a população vem mostrando real disposição de mudar o comportamento para fazer um trânsito melhor. As mudanças são lentas. Não faria sentido esperar quedas drásticas, diz.
Para Abmael Pereira Santos, 51 anos, morador do município de São José dos Pinhais, o trânsito melhorou totalmente depois da vigência do novo código. Segundo ele, com maior fiscalização, os maus motoristas que não possuem carteira de habilitação não circulam mais com tanta frequência nas áreas centrais das cidades. O mesmo motivo também limitou o número de carros sem condições de uso. As pessoas precisam se conscientizar que as regras não são para atrapalhar, mas sim para a segurança de todos, diz.
João Cândido Ávila, 61 anos, também acha que o trânsito está mais organizado, principalmente entre os motoristas. Na opinião dele, o mesmo não está acontecendo com os pedestres, que continuam desafiando os carros. Os pedestres reclamam dos motoristas, mas são eles que devem se dar ao respeito para serem respeitados, diz. Números da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) mostram essa realidade. Em um ano de existência do código, a redução de acidentes em geral foi de 20%, enquanto que o número de atropelamentos caiu apenas 3,75%, segundo José Álvaro Twardowski, diretor da Diretran.
O consultor e educador de trânsito Luiz Arthur Montes Ribeiro, diz que, por causa da cultura do povo brasileiro, as melhoras significativas trazidas pelo código só serão sentidas a partir do quinto ano de aplicação da lei.
Como nem todos os paranaenses passaram a respeitar as novas regras de trânsito, hoje, 2.856 motoristas estão na lista negra do Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná, por terem perdido 20 ou mais pontos na carteira ou cometido apenas uma infração que, por si só, determine a suspensão. Do total de motoristas infratores apenas 350 são mulheres, mas somente uma delas conseguiu somar 213 pontos por estacionar em local indevido.





