Mostrando o dente no Aeroanta
Zeca Corrêa Leite
DivulgaçãoA banda Blues Etílicos lança um CD que mistura nuances brasileiras às raízes do bluesTem blues no Aeroanta nesta sexta-feira, 7 de março. Ou melhor, tem blues com a maior banda nacional do gênero, segundo a crítica especializada. Os rapazes do Blues Etílicos estão chegando para divulgar seu mais recente lançamento, Dente de Ouro, o sexto na carreira do grupo que está há dez anos na estrada.
Dente de Ouro aproxima bastante as nuances brasileiras das raízes blueseiras. Isso se comprova, por exemplo, na faixa-título, onde a capoeira mistura-se com o ritmo americano. Mestre Garrincha foi convidado para uma participação especial tocando atabaque e berimbau. Berimbau não é gaita, avisa a banda no texto de apresentação. E daí? Os solos de gaita de Flávio Guimarães estão noutros momentos, mais uma vez afirmando seu virtuosismo no instrumento.
Quem for ao Aeroanta poderá conferir ao vivo o que foi registrado em estúdio. O Blues Etílicos completa dez anos de carreira e também do lançamento de seu primeiro disco - simplesmente Blues Etílicos -, que surgiu despojado, como quem não queria nada. Produzido pelos próprios músicos, veio com aquele peso e charme de um trabalho histórico. Ali estava a primeira gravação de uma banda de blues brasileira.
Caiu no gosto da crítica e do público, teve sua edição rapidamente esgotada e abriu caminho para novos trabalhos. Água Mineral, de 1989, e San-Ho-Zay, de 1990, transformaram-se nos dois álbuns de blues mais vendidos no País. Nem artistas do porte de B.B. King e Robert Johnson, que ganhou estojo caprichado da gravadora, conseguiram chegar a 50 mil cópias, na somatória dos dois títulos. O quarto lançamento, IV, é de 1991, e em 1993 saiu Salamandra, que concorreu ao Prêmio Sharp, categoria de melhor disco em língua estrangeira. Depois de um jejum de quatro anos, a banda voltou a gravar.





