MORTALIDADE INFANTIL - Municípios conseguem bons resultados com medidas simples
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terça-feira, 06 de novembro de 2007
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Nos dois últimos anos, a Secretaria de Saúde de Piraquara decidiu investir pesado para diminuir as mortes de suas crianças. Não implantou nenhuma fórmula mágica ou criou algum sistema que exigisse muitos recursos, apenas adotou receitas já conhecidas e com bons resultados em outras cidades do País, que garantem atendimento à mulher e à criança, com acompanhamento sistemático desde a gravidez até o bebê completar um ano de idade. E os resultados já começam a aparecer.
Informações apresentadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em setembro, sobre a redução da mortalidade infantil no mundo, mostram que Piraquara alcançou em 2006 a menor taxa registrada na história da cidade, de 10,1 mortes para cada 1000 crianças nascidas vivas, uma das mais baixas da Região Metropolitana e que aproxima o município a atingir a meta da OMS, que recomenda um índice abaixo de 10 mortes/1000 nascidos vivos (NV). Vale salientar que esse índice foi alcançado apesar do município não ter nenhum hospital, o que significa que os bebês de Piraquara não nascem em Piraquara. A maioria nasce na Mater Dei, maternidade de Curitiba que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e para onde são encaminhadas 80% das grávidas da cidade.
Outro município que se destaca é São José dos Pinhais, único da Região Metropolitana com coeficiente abaixo de 10 mortes/1000 nascidos vivos. Em 2005, a cidade teve 3.990 nascimentos com 34 mortes, o que garantiu um índice de 8,52 mortes/1000, bem inferior ao seu índice de 2002, quando chegava a 18,81 mortes/1000.
Segundo Lígia Mendonça, coordenadora de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde de Piraquara, as melhorias estão baseadas em três ações principais. Num primeiro momento, houve a preocupação de fazer a identificação precoce da gestante, ou seja, nos três primeiros meses de gravidez. ''É um trabalho principalmente dos agentes comunitários, que vão nas casas, se há suspeita, incentivam a mulher para que procure a unidade de saúde e faça o exame de gravidez'', explica. Com a gravidez confirmada, a gestante é cadastrada em um programa do governo federal, o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (PHPN), o qual possui um software que permite gerenciar informações sobre o acompanhamento da gravidez. Assim, se ela deixa de comparecer a alguma consulta, por exemplo, o sistema acusa e o agente comunitário vai à sua casa para ver o que está acontecendo.
Outra ação foi a implantação de seis equipes do Programa Saúde da Família (PSF), com o aumento do quadro de pessoal nas nove unidades de saúde (US), o que garantiu melhoria na qualidade de assistência. No segundo semestre de 2006, ainda, foi criado o Programa Vida Protegida, com objetivo de aumentar os cuidados com o bebê, em especial durante o puerpério. Através do programa, assim que tem o bebê, a mãe recebe um folheto com cinco recomendações do Ministério da Saúde que devem ser adotadas já na primeira semana de vida da criança, entre elas a necessidade de amamentar e dar as primeiras vacinas. O Vida Protegida prevê também visita domiciliar para busca ativa de bebês de risco, identificado por critérios como baixo peso, mãe muito jovem, poucas consultas de pré-natal, entre outros.
Para 2008, segundo Lígia, uma das metas em Piraquara é melhorar ainda mais o atendimento pré-natal. Esse trabalho, explica, é fundamental, uma vez que a maior parte das mortes acontece no período neonatal, ou seja, antes do bebê atingir 28 dias de vida. ''São normalmente causas ligadas à gravidez e ao parto'', diz. Em geral, são bebês que nasceram prematuros e apresentam problemas como baixo peso, imaturidade dos pulmões, baixa resistência a infecções. O parto prematuro, por sua vez, acontece com mais frequência em gestantes com problemas como hipertensão ou infecção urinária, por exemplo, doenças que podem ser detectadas durante o pré-natal, evitando, assim, a morte do bebê.
São José dos Pinhais - A primeira estratégia adotada por São José dos Pinhais, foi exatamente nessa linha. Segundo Ceres Fátima Ferreira dal Negro, chefe da Diretoria de Atenção à Mulher e à Criança, o município optou por qualificar a atenção no pré-natal para diminuir a morte após o parto imediato, ou seja, até 12 horas após o nascimento. Para isso, fez um Protocolo de Atenção ao Pré-Natal, estabelecendo os procedimentos que deveriam ser adotados nas unidades de saúde.
O município, no entanto, tem uma vantagem sobre Piraquara. A Prefeitura tem o Hospital Atílio Talamini, que atende exclusivamente pacientes do SUS, e que tem uma UTI Neonatal, uma das mais modernas e bem equipadas do estado, com seis leitos. No hospital, foram implantadas algumas iniciativas, como o Programa de Residência Médica, que aumentou sua equipe de pessoal e resultou em redução das cesarianas e aumento dos partos normais. O hospital também mantém programas como o Mãe Canguru e Alojamento Conjunto, que mantêm mães e bebês juntos desde o nascimento.
Outras medidas que contribuem para a redução da mortalidade infantil são a campanha de aleitamento materno e o Protocolo de puericultura, que estabelece medidas de acompanhamento pelas unidades de saúde para crianças até um ano. Para 2008, o município quer investir ainda mais em seu hospital, inclusive com mais contratação de pessoa, com objetivo de conquistar o título Amigo da Criança. Outro projeto é implantar o Programa Bebê São Joseense, voltado para atender todas as crianças do município até os 10 anos de idade.


