Moralidade no fim do século
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de dezembro de 2000
De Curitiba 
Os últimos anos do século são marcados por um inédito processo de combate à corrupção e ao crime no serviço público. Esse trabalho é capitaneado pelo Ministério Público, com a atuação destemida de promotores e a chancela dos cidadãos, cansados de ver o dinheiro de seus impostos sendo desviado para o bolso de maus políticos e servidores.
Em 22 de junho de 2000, a Câmara de Vereadores de Londrina cassa o mandato do prefeito Antonio Belinati (sem partido), acusado de gastos excessivos em promoção pessoal e de comandar um esquema de desvio de recursos da prefeitura os promotores já comprovaram um rombo de R$ 16 milhões, mas o montante pode chegar a R$ 200 milhões. A decisão é inédita na história do município. Belinati, que exercia seu terceiro mandato de prefeito, também tem seus direitos políticos suspensos por oito anos.
Em Maringá, o Ministério Público descobre em 2000 um rombo nos cofres municipais, que, no final do ano, já atingia R$ 36 milhões. O ex-secretário da Fazenda, Luis Antonio Paolicchi, acusado de ser o pivô dos desvios, é preso em Florianópolis (SC), em 7 de dezembro, depois de passar dois meses foragido. O prefeito Jairo Gianoto (sem partido), nas contas de quem o MP diz ter encontrado parte do dinheiro desviado, é afastado do cargo por ordem judicial.
Outra revelação das ligações entre poder e crime: o Paraná é o campeão em número de indiciamentos pela CPI do Narcotráfico e do Crime Organizado da Câmara Federal, que conclui seus trabalhos em dezembro de 2000. São denunciadas sete empresas e 103 pessoas do Estado, entre elas o ex-secretário de Segurança do governador Jaime Lerner (PFL), Cândido Martins de Oliveira.
Essa onda de moralização também se reflete nas urnas. Londrina, Maringá e Ponta Grossa as três maiores cidades do interior do Estado elegem, em outubro, prefeitos do PT, um partido cuja imagem é associada ao combate à corrupção. (Valmir Denardin)


