O olfato é um dos nossos sentidos mais poderosos, só paramos de utilizá-lo se interrompemos nossa respiração. O paladar é influenciado diretamente por ele. ''Comemos mais com o nariz do que com a boca'', avalia a aromaterapista Janice Zanatta. Segundo ela, quando sentimos um cheiro, essa sensação é decodificada pelo cérebro no sistema límbico, isso faz dele o nosso sentido mais primitivo. É através dele que se apresentam os desejos mais viscerais do ser humano, como o apetite sexual e a fome.
Assim como uma fotografia ou uma música, o cheiro também tem o poder de provocar lembranças. Trata-se da memória olfativa. ''Você reage imediatamente ao cheiro daquilo que o remete'', explica Zanatta.
Quando essas lembranças envolvem a cidade onde vivemos, as reações podem ser as mais variadas possíveis. Para o pediatra Luiz Carlos Caligaris, por exemplo, Curitiba cheira a limpeza, um odor indefinido, mas que remete esse cidadão de Marília (SP) às experiências vividas na Capital.
Para o aposentado Emílio Sada o cheiro mais marcante é o das moças bonitas. Frequentador assíduo da Boca Maldita, no Centro da cidade, ele divide essa referência com o cheiro de café, que vem do Café da Boca, um dos pontos de bate-papo mais tradicionais da Capital.
Esse aroma também marca a lembrança da atendente Magali da Silva, que trabalha no local, mas reside em Campo Largo. Segundo ela, além dos curitibanos, o cheiro do café fresco atrai muitas abelhas.
Sobre esses insetos a aromaterapista pouco sabe, mas concorda com a idéia de que um aroma tem o poder de atrair as pessoas. Há oito meses ela oferece os serviços de marketing olfativo. A atividade consiste em buscar a identidade de um local ou de uma empresa através de fantasias olfativas, que reproduzem odores como o de café, pizza, flor da manhã, entre outros. Algumas empresas já utilizam esse serviço como forma de atrair clientes e fixar marcas. ''O aroma é um instrumento que pode desviar ou otimizar a atenção, pode aguçar ou retrair um desejo'', afirma Zanatta.
De acordo com a profissional, Curitiba tem uma característica olfativa própria. ''Por se tratar de um planalto, um lugar mais frio, a procura é por notas mais quentes, como o cheiro de grama cortada e canela'', explica. Em outras paisagens, como o Rio de Janeiro por exemplo, o clima quente pede notas mais frias, como a brisa marinha e baunilha.
O fato do curitibano gostar de ficar em casa também favorece o uso das técnicas olfativas. ''É possível recriar, através do cheiro, um clima de bem estar e tranquilidade'', diz a profissional.
O uso terapêutico dos aromas pode ajudar ainda a combater alguns males típicos de lugares frios como Curitiba. ''É possível aliviar os sintomas da bronquite e da rinite com cheiros refrescantes, como o capim limão, eucalipto e basilicão, tudo isso, é claro, sempre acompanhado por um médico'', aconselha a aromaterapista.

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