Moradores fizeram campanha para asfaltar ruas
Em favelas de Curitiba e região, muitas vezes as comunidades se cansam da negligência do poder público e decidem agir por conta própria. No Parolin, segundo Édson Pereira Rodrigues, presidente da Associação de Moradores, há cinco anos fizeram uma campanha para asfaltar ruas. ''Cada morador ajudou com R$ 10 e foi feito o asfalto'', explica Rodrigues.
Segundo a associação, mais de 7 mil famílias moram no Parolin. ''A favela tem 60 anos, é a mais antiga de Curitiba. É tudo área invadida. Fica aquela pressão, do dono ameaçar: 'Vamos entrar na Justiça!'. Só na beira do rio, tem 508 famílias quase caindo'', afirma o líder comunitário. Rodrigues aponta que, após anos e anos de reivindicações, a Companhia de Habitação de Curitiba está iniciando um projeto para construção de sobrados e casas para realocar moradores que têm residências perto do rio.
A comunidade do Parolin espera que a favela receba recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É a mesma expectativa dos moradores do Guarituba, de Piraquara (RMC). De acordo com Davi Black, responsável pela representação paranaense da Central Única das Favelas (Cufa), o Guarituba é a maior favela do Sul do Brasil, com aproximadamente 48 mil moradores.
Não por acaso, o bairro foi escolhido para os primeiros trabalhos da Cufa no Paraná. Já foram estabelecidos uma cozinha comunitária, uma biblioteca, um espaço para debates, um ciclo de esportes, entre outras ações. Segundo Black, outros projetos devem começar a ser desenvolvidos em breve, como uma oficina de empreendedorismo, cursos de cinema, aulas de informática. Em muitos casos, com a ajuda de parceiros. Outras favelas paranaenses também devem receber atividades.
''A Cufa visa dar condições para que as pessoas sigam para a guerra pelo menos com algumas armas. Quem está na favela é considerado descartável. A pessoa é lembrada na hora da eleição, mas não vai conseguir fazer uma faculdade, não vai crescer na vida'', diz Black. Recentemente, órgãos públicos iniciaram um projeto no Guarituba, com ações de urbanização e regularização fundiária.
A comunidade comemora os investimentos, mas, após tantos anos de reivindicações, um pouco de ceticismo é inevitável. ''A gente está na chuva, né? Ano que vem é ano de eleição... Não estou falando que toda ação tem o objetivo de eleger alguém. Eu acredito que existem bons políticos. O prefeito atual de Piraquara, por exemplo, me parece sensível a muitos problemas. Mas a gente não pode ser ingênuo'', pondera Black.
O servente de pedreiro Aparecido Ferreira dos Santos, morador do Guarituba, se diz empolgado com as mudanças que estão em curso na favela, mas afirma que as ações não podem parar por aí. ''Tem que melhorar muita coisa ainda. Tem muita criança daqui que ao invés de ir para a escola fica pela rua e ninguém faz nada'', opina o morador. (F.G.)





