Moradores destacam qualidade de vida
A segurança de viver no Patrimônio Selva, em uma época de explosão da violência em Londrina, é apontada como uma das principais qualidades pelos moradores do local. O presidente da Associação de Moradores Joaquim Rocha Melchíades salientou que a tranqüilidade é total. As únicas ocorrências daqui são alguns roubos de gado. Mas, mesmo assim, é raro acontecer, declara.
A arquitetura das casas, a maioria construída há mais de 50 anos, é reflexo da sensação de segurança. A ausência de forro seria um prato cheio para os marginais de hoje em dia, mas o problema não chega a afligir os habitantes locais. Apesar de raras, também são encontradas propriedades com cercas elétricas e muros um pouco mais altos. Melchiades também salienta que dois policiais militares moram no patrimônio, o que confere maior sensação desegurança ao local.
O Selva conta com uma escola, posto de saúde e a rua principal do vilarejo é asfaltada. Alguns estabelecimentos são encontrados na via mais importante do patrimônio. Apesar de a maioria da população viver no patrimônio há tempo, o bairro ainda atrai novos moradores. O aposentado José Jacomini, 70 anos, mudou da cidade há seis anos. Atraído pelo baixo preço dos imóveis, comprou uma casa no vilarejo, onde vive com a esposa.
Ele queixa-se da falta de limpeza da praça da igreja, em frente à sua residência. Um funcionário já seria suficiente para cuidar, manter a área limpa, sugere.
O motorista aposentado também cobra maior eficiência do atendimento médico no posto de saúde. Eles sempre encaminham para os hospitais da cidade. Seria melhor resolver os problemas aqui mesmo, acrescenta.
Uma das recordações do agricultor Joaquim Melchíades é o predomínio do café nos primeiros anos de trabalho na região. Era importante porque o café dá mais serviço que as outras lavouras, opina. Outra lembrança da infância era a liberdade para brincar pelas propriedades rurais do patrimônio. A gente só fazia arte, diverte-se Melchíades. Ele relembra as caçadas de passarinhos, os furtos nas plantações de melancia e melão caipira e as pescarias no rio São Domingos, que corta a primeira propriedade da família, onde ainda hoje existe a casa onde Melchíades nasceu. Dava para pegar lambari com o chapéu, de tanto que tinha, conta.





