Moradores de Reserva pedem que familiares deixem os EUA
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quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Denise Angelo 
No município de Reserva (98 km ao norte de Ponta Grossa) não é difícil encontrar pessoas que têm parentes morando nos Estados Unidos. A prefeitura calcula que cerca de dois mil reservenses estão residindo lá, o que equivale a 8% da população da cidade, composta por 24 mil habitantes. E por causa dos ataques terroristas a Nova York e Washington, a cidade acordou preocupada ontem. A grande maioria dos parentes de pessoas que moram nos EUA aproveitaram o contato para pedir que seus familiares voltem para casa.
Foi o caso de Dirce Martins Pedroso, 39 anos. Ela aproveitou o contato para pedir a sua irmã, Maria Eli Guimarães Martins, 31, que volte para Reserva. ''Lá eles têm salários melhores, mas aqui no Brasil a gente tem paz.''
Maria Eli trabalhou até a sexta-feira da semana passada num shopping no subsolo do World Trade Center. ''No dia em que foi demitida ela ficou chateada por perder o emprego, mas na terça-feira ela comemorava porque se ainda trabalhasse lá certamente teria morrido'', disse Dirce.
Ela falou com sua irmã duas vezes depois dos atentados. No momento das explosões, Maria Eli, que agora trabalha num restaurante localizado a quatro quadras do prédio que abrigava as torres gêmeas, contou que no momento da explosão todo mundo saiu para as ruas, tentando entender o que estava acontecendo.
Ontem, Maria Eli ligou para casa novamente e contou que Nova York acordou mais tranquila, mas ainda existe o temor de novos ataques. ''A misericórdia de Deus nos atingiu. Estamos tristes pelas outras vidas perdidas, mas minha família está aliviada'', desabafou Dirce.
Rosni Ribeiro Machado, 54, que é vigilante da agência do Banco do Brasil de Reserva, tem uma irmã morando em Nova York. Ela é casada e tem três filhos e quatro netos. Eles moram todos juntos. Foi a sobrinha de Rosni, Lucimara Terra, que telefonou avisando que estava tudo bem. Só um dos membros da família teve dificuldades para chegar em casa por causa do bloqueio de pontes e túneis que dão acesso a Manhattan.
A balconista Valneide Alcântara de Oliveira também tem uma irmã morando nos Estados Unidos, em Nova Jersey. Vanderléia Costa, 28, também telefonou avisando que estava tudo bem. Mas ela só tomou conhecimento dos fatos à noite, porque estava trabalhando no momento dos ataques. ''Por lá parece que ninguém estava conseguindo acreditar que aquilo tudo era verdade'', disse a balconista.


