Os moradores de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), querem que a prefeitura explique o aumento dos valores cobrados este ano nos carnês do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Segundo o presidente da Associação de Moradores do Bairro Ferraria, Nelson Silva de Souza, a variação em relação ao ano passado chega a 1.000%.
A auxiliar de cozinha Maria Tereza Machado, por exemplo, pagou R$ 33,42 de IPTU em 2006. Este ano, ela recebeu dois carnês, um no valor de R$ 114,84 e outro de R$ 89,58, totalizando R$ 204,42, ou seja, 611,66% a mais do que no ano anterior. ''Meu salário, tirando os descontos, é de R$ 290. Como é que eu vou pagar um imposto desse? Não tenho condições de pagar isso.''
Segundo Maria Tereza, sua casa não tem mais de 75 metros quadrados, mas no carnê consta uma área construída de 112 m2. ''Na minha casa ninguém mediu nada. Não entraram aqui porque eu trabalho direto'', alega.
O porteiro Joaquim Domingues Soares mora em uma casa de 70 m2 e teve o valor do imposto reajustado de R$ 28 para R$ 70. Ele já efetuou o pagamento mas quer a revisão da taxa. ''Se estiver errado quero meu dinheiro de volta.''
Segundo Souza, os moradores estão sendo orientados a não comparecer à prefeitura. Uma ação civil pública será protocolada no fórum da cidade e depois um projeto de lei de iniciativa popular será apresentado na Câmara de Vereadores pedindo esclarecimentos sobre os critérios adotados para a alteração dos valores.
A associação organizou um abaixo-assinado que já conta com 600 nomes e quer também a destinação de uma equipe da prefeitura para registrar as reclamações em cada residência. ''Queremos que a prefeitura prorrogue o prazo para discutir isso aí e venha até a comunidade para que o protocolo seja feito na própria região'', defende o presidente da associação de moradores. O prazo, por enquanto, vence em 25 de maio.
O secretário de Finanças de Campo Largo, Luiz Carlos Fabris, afirma que as mudanças devem-se à revisão cadastral feita em 2006. ''Foi feita uma revisão em todos os cadastros do município. Há mais de dez anos isso não era feito'', justifica.
Segundo o secretário, o valor de mercado dos imóveis não sofreu alteração e as imagens aéreas estão servindo de base para as atualizações, o que pode ter gerado distorções. ''Um depósito de lenha pode ter sido considerado uma segunda casa no terreno. Nesse caso, o morador deve fazer um pedido de reembolso ou de revisão. Onde houve erro vamos corrigir'', garante o secretário.
As alterações devem-se, segundo ele, às diferenças na metragem da área construída, à presença de novas construções no mesmo terreno e à alteração no padrão de acabamento, que determina a alíquota a ser cobrada. O imposto também teria passado por uma correção de 3%, segundo Fabris, referente ao Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a variação inflacionária.

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