Moradores da RMC sofrem com alagamentos
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
O final de tarde da terça-feira de Carnaval foi tenso para o administrador de empresas Antônio Guimarães. ''Minha irmã me telefonou e avisou que a nossa casa estava alagada. Falei para ela desligar todos os aparelhos eletrônicos e voltei correndo. A água estava entrando pelo corredor e ninguém conseguia entrar nos apartamentos pela porta. As pessoas tinham que entrar pela janela. A altura da água chegou a 15 centímetros. Felizmente, conseguimos tirar muita coisa'', diz Guimarães.
A família do administrador foi uma das afetadas por um alagamento ocorrido no bairro Fazendinha, em Curitiba. A forte chuva provocou o transbordamento do Ribeirão dos Muller, que corta o bairro. A água invadiu o condomínio residencial onde Guimarães mora. Ao todo, 36 apartamentos no térreo foram atingidos. ''Moro aqui desde 1993 e nunca tinha acontecido uma coisa dessas'', afirma Guimarães.
Outras situações de alagamento ocorreram nas últimas semanas na Região Metropolitana de Curitiba. Na Quarta-Feira de Cinzas, um dia após o transbordamento na Fazendinha, a chuva gerou um alagamento que danificou as residências de 16 famílias na localidade de Ferraria, em Campo Largo. Em janeiro, um temporal provocou o transbordamento do Rio Ressaca, em São José dos Pinhais. Cerca de 2.500 residências em 17 bairros foram invadidas pela água. A prefeitura decretou situação de emergência.
O chefe da seção operacional da Coordenação Estadual de Defesa Civil, tenente Eduardo Gomes Pinheiro, explica que alagamentos ocorrem em várias regiões do Paraná e resultam de uma combinação de fatores.
''Um deles é a ocupação irregular. Muitas pessoas não respeitam a distância mínima de cursos d'água para estabelecer moradias. O Estado está cobrando dos municípios planos diretores, dentro dos quais há o Plano de Defesa Civil, para que não ocorram ocupações em áreas de risco. É uma questão de política pública, de realocação dessas pessoas. Muitas vezes os moradores colocam a culpa por alagamentos nos rios. Mas, com tanta área para estabelecer moradias, por que escolher regiões próximas de cursos d'água? Muitas vezes, com o alagamento as famílias perdem tudo o que conquistaram na vida'', argumenta Pinheiro.
''Além disso, com o crescimento desordenado das cidades, os moradores, alegando falta de tempo, optam por colocar calçadas em suas residências ao invés de jardins. Dessa forma, a água não é absorvida pelo solo, corre para o curso d'água mais próximo, que muitas vezes não tem a dimensão adequada para receber tanto volume. Além de resolver esses problemas, é preciso enfatizar o aspecto educacional. Muitas pessoas jogam lixo nos cursos d'água'', diz o tenente.


