O protesto de moradores do município de Fazenda Rio Grande após a morte, durante um assalto, do motorista do transporte coletivo Ricardo Germano Hopaloski, 37 anos, ganhou repercussão nacional por ter fechado durante sete horas a rodovia BR-116 no último dia 24. A manifestação também chamou a atenção para a sensação de insegurança enfrentada diariamente pelos moradores da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O sentimento de vulnerabilidade se confirmou na última quinta-feira quando o cobrador Cristian da Cruz, 21, que trabalhava no mesmo ônibus em que ocorreu o homicídio, foi novamente assaltado em outra linha. Era o segundo dia de retorno ao trabalho de Cristian após o período de lincença por estresse pós-traumático. Por conta desse segundo episódio, o cobrador foi levado para o hospital em estado de choque.
O que se passou em Fazenda Rio Grande poderia ter ocorrido em qualquer outro município da Região Metropolitana de Curitiba, de acordo com os presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) ouvidos pela reportagem. ''Nós também não estamos livres do que aconteceu em Fazenda Rio Grande. O Alto Maracanã não foge à regra: falta material humano e investimento'', avalia o presidente do Conseg do Alto Maracanã, em Colombo, Isaías de Oliveira.
No bairro Cachoeira, em Almirante Tamandaré, os assaltos são frequentes tanto nos ônibus quanto no comércio, conta o presidente do Conseg do Cachoeira, Juraci Ambrósio. ''Toda semana tem alguém sendo assaltado, mercado, lotérica, farmácia''. Segundo Ambrósio, há poucas viaturas para atender bairros muito distantes, que acabam ficando sem cobertura. ''São só duas viaturas, quando quebra só tem uma. A povo está inseguro, mais viaturas ajudaria a inibir os crimes'', afirma.
Proprietária de uma farmácia em Almirante Tamandaré, Josiane Bueno está pensando em desistir do negócio, porque já sofreu 15 assaltos. ''Não dá mais. A gente chama a polícia e espera de uma a duas horas para ser atendido'', conta. O sistema de segurança privada contratado pelos comerciantes locais também não tem dado conta do problema, segundo Josiane. Eles também recorreram à Secretaria de Segurança do município, mas os assaltos continuaram. ''Parece que nada resolve. Trabalhar para vagabundo também não dá. Fica difícil'', desabafa.
Só em Almirante Tamandaré foi realizada uma média 8,5 assaltos por dia a ônibus do transporte coletivo no início de janeiro, de acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Denilson Pires da Silva. Segundo Silva, a maioria dos assaltos realizados em ônibus na Região Metropolitana são motivados pela dependência de drogas. ''Em algumas linhas está aterrorizante. O assaltante rouba ali e corre para comprar uma pedra de crack. A pedra acaba e ele volta em busca de dinheiro para comprar outra. É uma questão bem mais ampla que precisa de um plano de curto, médio e longo prazo'', alerta.
A auxiliar de saúde pública Maria Pereira, 52 anos, mora em Quantro Barras e já foi assaltada dentro do ônibus da linha Porta do Campo. ''Às cinco, seis horas da manhã é comum ter assalto dentro do ônibus'', conta. Ela diz que no bairro Porta do Campo, as casas também são alvo dos assaltantes. ''Tem que ter cachorro bravo porque o negócio não é fácil não'', comenta.
Para o presidente do Sindimoc, aumentar o policiamento no transporte coletivo, como foi anunciado pelo secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, é uma medida emergencial que apenas vai deslocar o problema. ''Vão afastar os bandidos do assalto a ônibus e eles vão migrar para mercados e outros meios. Só com ações em conjunto podemos tentar diminuir essa violência. Ninguém vai fazer milagre. As causas não estão sendo combatidas.''

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