Morador de apartamento costuma ser mais fechado
Síndico de um condomínio com 38 apartamentos no bairro Batel, Manoel Ribeiro afirma que por uma questão cultural as pessoas residentes ali não gostam de se aproximar muito. ''Como todo curitibano, são mais reservados'', observa. Mas de acordo com o síndico, tudo é uma questão de tempo. ''Com o passar dos anos você vai conhecendo as pessoas e o relacionamento muda, começa a ficar mais flexível.''
Ainda assim, Ribeiro diz que mesmo morando no mesmo edifício há muito anos, encontra resistência por parte dos moradores. ''Às vezes tomo o elevador com vizinhos e não tem diálogo. Falam 'bom dia', ficam olhando a marcação dos andares e 'até logo'. Eu converso com todos, mas percebo isso'', conta.
Para Ribeiro, que se considera uma pessoa extrovertida, essa reserva tem que ser respeitada. ''Mas preferia que as pessoas fossem mais abertas, sociáveis. Se houvesse mais diálogo seria bem melhor, com um 'bom dia', um sorriso, um tapinha nas costas, essas coisas de que todos precisam'', observa.
Edmilson Vidaleal também é síndico de um condomínio de 22 apartamentos no bairro Batel e, segundo ele, ali ''cada um cuida de si''. Mas para Vidaleal, isso também varia de pessoa para pessoa e não é uma característica exclusiva do curitibano. '''É muito mais conversa que outra coisa. Quando tem algum problema são solidários, se prontificam a ajudar'', avalia.
Presidente da Federação das Associações de Moradores da Região Metropolitana de Curitiba, o vereador Valdenir Dias (PMDB) diz que a maioria dos grupos de vizinhos que apresentam reivindicações na Câmara Municipal vivem em bairros menos assistidos. ''Quando falta esgoto, asfalto, creche, escolas, os presidentes de associações nos procuram. Os vizinhos se reúnem e criam uma associação para ter legitimidade'', observa Dias.
O próprio vereador diz que notou diferença quando mudou de sua casa para um apartamento. ''Em casa geralmente você conhece o vizinho do lado, da frente. Há menos cerimônia, é mais fácil ter contato. Quando vai viajar pede para tomar conta da casa. Em apartamento é bem mais difícil a comunicação'', afirma. (D.R.)





