Momentos difíceis trouxeram compensações
Entre tantos fatos vivenciados durante a atuação profissional, um é recordado devido à bravura do médico, que não media esforços para salvar vidas. Em frente à sua residência, um caminhão tombou esparramando uma grande quantidade de combustível no asfalto, com risco de explosão.
Os ocupantes do veículo, desesperados, não conseguiam sair da cabine. O médico se aproximou do caminhão e conseguiu retirar as pessoas, mesmo arriscando a própria vida. Pouco depois, o veículo se incendiou.
Ele lembra de outra situação, em Cornélio Procópio, durante a exumação do corpo de um homem tratado como indigente. Examinando o cadáver de forma detalhada, descobriu dentro da roupa, fotos e documentos que ajudaram a localizar a família, que até então ignorava o paradeiro da vítima. Os familiares puderam enterrá-lo.
Mas reconhecimento maior, segundo ele, recebeu 12 anos depois de realizar um atendimento. Chamado para uma emergência, deparou-se com uma mulher enrolada em lençóis ensanguentados, em trabalho de parto, em uma casa humilde de madeira.
O atendimento foi feito sem luvas, sem material adequado e sem as condições exigidas de higiene. Falando sozinho, pediu que Deus lhe protegesse. Depois de muito tempo, de suar muito e de ter o coração descompassado, concluiu o parto, trazendo ao mundo uma menina forte e saudável.
Encaminhando mãe e filha para a Santa Casa de Londrina, torcia para que nenhuma das duas tivesse infecção, já que as condições do parto foram muito precárias.
Doze anos depois, uma garotinha entrou em seu consultório e perguntou se ele a conhecia. Era a criança que nasceu nas condições precárias. Um abraço apertado selou o reencontro dos dois.(M.O)





