‘No finzinho de 1972, com 13 para 14 anos’’, rememora Alberto Nolli a sua fase ao ingressar na seção de divulgação da UEL, onde o amigo Gustavo Branco Júnior chegaria logo a seguir, recomendado pela madrinha Rosa Leal, lá empregada.
  Aos adolescentes naquela faixa de idade, também chamados de moleques por uma razão cultural e sem conotação pejorativa, era permitido trabalhar e receber meio salário, preservado o horário escolar. Eram office-boys num ‘‘departamento’’ com uma copiadora xerox, ‘‘do tamanho de uma mesa’’, e um mimeógrafo. Mas a evolução para a off-set seria rápida.
  Sócios na DN Conectividade atualmente, Alberto e Gustavo recordam que moravam na Vila Higienópolis e outros ‘‘mole-ques’’ dali também arranjaram serviço na Universidade. Difícil era ir até lá, se chovesse. Automotores não venciam o barro e o jeito era atalhar, a pé, por dentro de cafezais.
  E mesmo que não chovesse, vez ou outra o reitor, Ascêncio Garcia Lopes, chegava de botas. Além de médico, ele era fazendeiro.
  O mais rigoroso olhar sobre os ‘‘boys’’ era o de Acely de Melo, a poderosa assessora do reitor e secretária-geral dos órgãos colegiados superiores (leia mais nesta edição). Subordinavam-se também ao assessor de imprensa, Antônio Vilela de Magalhães, cujo parceiro era o fotógrafo espanhol Daniel Martinon Manrique, ambos, na época, da Folha de Londrina.
  Sucedeu que o reitor solicitou a Vilela um garoto exclusivamente para o gabinete e, a fim de selecioná-lo, entraram na seção. Mas a notícia os precedera e ao serem vistos ‘‘foi só gente se escondendo’’. Alberto Nolli não teve tempo. ‘‘Serve este aqui, reitor?’’, indagou Vilela apontando-o. ‘‘Serve, que seja.’’
  Nolli conta que a sua primeira tarefa, pela manhã, era abrir as cortinas, ligar o ar condicionado e apontar os lápis. Não eram poucos e o reitor os desgastava todo dia, ainda bem que havia uma máquina de apontar.
  E se tornou ‘‘procurador’’ de Dr. Ascêncio, conforme o seu relato bem-humorado. ‘‘O menino, preciso falar com fulano, vá procurá-lo e diga para vir aqui’’, pedia o reitor. ‘‘Procure, bem depressa, o professor tal...’’ E assim por diante, o reitor sempre queria falar com muita gente. E lá ia ‘‘o procurador’’.

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