Moleques no campus, do mimeógrafo à off-set
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quinta-feira, 06 de outubro de 2011
Widson Schwartz<br>Especial para a FOLHA 
No finzinho de 1972, com 13 para 14 anos, rememora Alberto Nolli a sua fase ao ingressar na seção de divulgação da UEL, onde o amigo Gustavo Branco Júnior chegaria logo a seguir, recomendado pela madrinha Rosa Leal, lá empregada.
Aos adolescentes naquela faixa de idade, também chamados de moleques por uma razão cultural e sem conotação pejorativa, era permitido trabalhar e receber meio salário, preservado o horário escolar. Eram office-boys num departamento com uma copiadora xerox, do tamanho de uma mesa, e um mimeógrafo. Mas a evolução para a off-set seria rápida.
Sócios na DN Conectividade atualmente, Alberto e Gustavo recordam que moravam na Vila Higienópolis e outros mole-ques dali também arranjaram serviço na Universidade. Difícil era ir até lá, se chovesse. Automotores não venciam o barro e o jeito era atalhar, a pé, por dentro de cafezais.
E mesmo que não chovesse, vez ou outra o reitor, Ascêncio Garcia Lopes, chegava de botas. Além de médico, ele era fazendeiro.
O mais rigoroso olhar sobre os boys era o de Acely de Melo, a poderosa assessora do reitor e secretária-geral dos órgãos colegiados superiores (leia mais nesta edição). Subordinavam-se também ao assessor de imprensa, Antônio Vilela de Magalhães, cujo parceiro era o fotógrafo espanhol Daniel Martinon Manrique, ambos, na época, da Folha de Londrina.
Sucedeu que o reitor solicitou a Vilela um garoto exclusivamente para o gabinete e, a fim de selecioná-lo, entraram na seção. Mas a notícia os precedera e ao serem vistos foi só gente se escondendo. Alberto Nolli não teve tempo. Serve este aqui, reitor?, indagou Vilela apontando-o. Serve, que seja.
Nolli conta que a sua primeira tarefa, pela manhã, era abrir as cortinas, ligar o ar condicionado e apontar os lápis. Não eram poucos e o reitor os desgastava todo dia, ainda bem que havia uma máquina de apontar.
E se tornou procurador de Dr. Ascêncio, conforme o seu relato bem-humorado. O menino, preciso falar com fulano, vá procurá-lo e diga para vir aqui, pedia o reitor. Procure, bem depressa, o professor tal... E assim por diante, o reitor sempre queria falar com muita gente. E lá ia o procurador.


