No segundo semestre de 2002, o então governador Jaime Lerner anunciou a desativação dos módulos policiais fixos no Paraná, unidades que já vinham sendo pouco a pouco deixadas de lado. Roberto Requião (PMDB) assumiu o governo do Estado no início do ano seguinte e não reativou os módulos. Pelo contrário: determinou como base da política de segurança pública de sua administração o chamado policiamento volante, com os policiais militares percorrendo os bairros e mantendo contato com a comunidade.
  Há quem defenda a reativação dos módulos. O assunto foi inclusive debatido na última campanha para governador, no ano passado. Osmar Dias (PDT), o segundo candidato mais votado, afirmou que havia necessidade de reativar os módulos fixos, enquanto Requião, vencedor do pleito, disse que o sistema de policiamento volante era o grande trunfo na questão da segurança pública e seria ampliado.
  O deputado estadual Ney Leprevost (PP) apresentou recentemente um projeto de lei na Assembléia Legislativa para o resgate dos módulos fixos. ‘‘O projeto estipula a criação de unidades fixas de atendimento à segurança, que nada mais seriam do que módulos policiais melhorados. Mas mesmo que a matéria seja aprovada, não acredito que o governador esteja propenso a sancioná-la’’, diz Leprevost.
  De acordo com o deputado, o projeto, que ainda não foi votado, estipula o estabelecimento de um módulo policial fixo a cada 25 mil habitantes numa região. ‘‘Os módulos são importantes porque aproximam a polícia da comunidade, dão uma referência, e eles podem ser utilizados juntamente com o policiamento volante’’, argumenta o parlamentar.
  O professor Pedro Bodê, coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), também acredita que os módulos fixos e o policiamento volante podem ser sistemas complementares. ‘‘Ter módulos fixos é importante porque a população sabe aonde ir e quem procurar. Eles não eliminam outros métodos e podem servir de apoio a sistemas que dão mais mobilidade à polícia’’, explica.
  O governo do Estado não tem a intenção de reativar os módulos policiais fixos. O major Douglas Sabatini Dabul, chefe da Seção de Planejamento do Comando de Policiamento da Capital, afirma que hoje a Polícia Militar trabalha com poucas unidades fixas em Curitiba: basicamente, sedes de companhia (compostas de estruturas administrativas, onde ficam os comandantes que gerenciam a segurança nos bairros), alguns destacamentos e postos de policiamento ostensivo (PPOs), sendo que os PPOs têm função quase idêntica à dos antigos módulos fixos. Segundo Dabul, em Curitiba, os módulos policiais das praças Osório e Carlos Gomes (localizadas no Centro) foram os únicos convertidos em PPOs.
  ‘‘Estabelecemos PPOs nesses locais porque são regiões estratégicas. Eles servem como referência para a população’’, diz o chefe. Nos bairros, os módulos fixos foram desativados. ‘‘Eram estruturas pré-fabricadas, ou não eram do Estado. Não foi dada finalidade específica a elas. Muitas já foram demolidas’’, aponta Dabul.
  O policial defende as supostas vantagens do policiamento móvel. ‘‘As estruturas fixas contemplam um raio de ação muito limitado. Com o módulo móvel, numa mesma manhã é possível fazer trabalho de prevenção de crimes em cinco pontos distintos. O Povo (Policiamento Ostensivo Volante) está dentro do espírito de policiamento comunitário’’, explica.
  ‘‘Nós procuramos mostrar para a população que os módulos fixos privilegiavam só alguns. A padaria que ficava em frente ao módulo estava segura, mas a que ficava a duas quadras dali, nem tanto’’, argumenta o policial. Dabul aponta que parte da população mantém o conceito de que pontos fixos de policiamento proporcionam mais segurança. Mas ele acredita que esse pensamento está mudando.
  ‘‘Quem entendeu a mensagem do policiamento volante, quem anotou o número do telefone celular do projeto Povo no seu bairro já tem uma visão melhor do que queremos fazer. Antes, o cidadão ligava para a polícia para acionar uma viatura. Hoje, ele pode telefonar diretamente para a viatura’’, diz o policial.

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