Modo de viver é segredo da longevidade
No dia 11 de julho de 1933, aos 28 anos de idade, Sawa Hagiwara embarcava com o marido e o filho de apenas três anos em um navio no porto de Kagoshima, no Japão, com destino ao Brasil. Jovem, ela se lançou na aventura perigosa em busca de dias melhores do outro lado do planeta. Hoje com 100 anos, completados em 10 de março último, ela vive com a família na Zona Sul de Londrina.
A aluna aplicada e instrumentista talentosa da adolescência seguia o primeiro marido, Toshio, que foi seduzido pela propaganda de que trabalhando na agricultura poderia enriquecer com facilidade. ''No Brasil ganha bastante'', recorda a japonesa num português carregado de sotaque. Pouco tempo após aportar em terras brasileiras, o esposo morreu e alguns anos mais tarde ela conheceu o segundo marido, Yoshio, morto em 1960. Seu único filho, Tadataka, falecido em 1995, lhe deu quatro netos. Hoje, ela tem três netos, 12 bisnetos e um tataraneto.
Vivendo com a família da neta Rosa Satiko Pereira, 47 anos, Sawa ainda goza de boa saúde. É sempre a primeira a acordar e cabe à ela preparar o café da manhã para todos. Também faz questão de ter seu espaço e lavar a própria roupa. E também cuida do tataraneto Felipe, de 9 anos. ''Quando a gente demora para chegar em casa, ela fica acordada com ele'', aponta Rosa.
Sawa diz que hoje não tem vontade de retornar ao Japão mas que por muitas vezes chorou lembrando da terra natal. ''Mas não tinha como voltar. Agora, estou contente né'', garante, com uma ponta de sorriso. A neta Rosa acredita que o segredo da longevidade de Sawa está no seu modo de viver. ''Ela come de tudo, mas com moderação, e a cada intervalo de três horas. Além disso, ela tem o espaço dela e, por isso, não tem essa sensação de rejeição'', comenta.(L.A.)





