A aproximação de um novo século (e milênio) fez com que cooperativas de produtores rurais passassem a se empenhar já há alguns anos na busca, desenvolvimento e disseminação de novas tecnologias entre seus associados, e na verticalização de atividades, para que eles e suas organizações ‘‘possam enfrentar os chamados tempos da modernidade’’. A afirmação, de Fábio Rosso, presidente da Cooperativa Central Regional Iguaçu (Cotriguaçu), de Cascavel, resume o entendimento de dirigentes das seis cooperativas de produtores e uma de pesquisa do Oeste/Sudoeste paranaense.
Segundo Fábio Rosso, ‘‘é definitivamente necessário’’ produzir com mais qualidade, em quantidade e além disto com menor custo, ‘‘para que se consiga espaço no mercado, cada vez mais competitivo’’. O dirigente salienta que a abertura de mercados mundiais, com a ‘‘globalização’’, facilita o ingresso de produtos nos países, ‘‘e quem não souber produzir em melhores condições perderá o lugar para os de fora’’. Sebaldo Waclawovsky, diretor-secretário da Cotriguaçu, acrescenta que a modernidade ‘‘deve se espalhar do trabalho campo ao produto final que sai da indústria’’.
Segundo os dirigentes da Central, a palavra de ordem é verticalizar a economia, processando matéria-prima para agregação de valores. Isso ocorre com a transformação de grãos em carne, via ração, ou farinha e farelo, e as cooperativas da região vem fazendo altos investimentos neste processo. A Cotriguaçu, representação política do sistema, opera entre outras unidades um moinho de trigo, em Palotina, com equipamentos informatizados e capacidade de moagem de 400 toneladas de trigo ao dia, o primeiro em capacidade entre os pertencentes a empresas genuinamente paranaenses.
A Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), com 3,7 mil associados, opera um conjunto de indústrias que, ao lado das demais atividades comerciais, reverteu no ano passado em faturamento de R$ 211 milhões, e neste ano ele deve subir para R$ 230 milhões. Um dos destaques é o frigorífico de aves, que abate 130 mil cabeças ao dia. A cooperativa também deve operar a partir de dezembro novas unidades de suínos (para abate de 1,5 mil cabeças) e bovinos (200 cabeças). Nestes frigoríficos, o investimento é de R$ 42 milhões, inteiramente com recursos próprios.

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