Modernidade: a aventura de ser mãe
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de abril de 2005
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Se você é mãe, provavelmente já passou por situações desconcertantes com seus filhos (e engraçadas também). Algo como ver o rebento fazer cocô na piscina do clube e ter que se livrar ''daquilo''. Se você é moderna, procura equilibrar a maternidade com outros interesses - trabalho, casamento, amigos, balada, vida cultural, etc. E, se você leva tudo isso com muito bom humor, parabéns, com certeza é uma ''mothern''!
Mas o que isso significa? A publicitária Juliana Sampaio e a designer gráfica Laura Guimarães, ambas de Belo Horizonte (MG), que criaram o termo, explicam - é a junção de mother (mãe, em inglês) e modern (moderna). Mas, para elas é também o ''nascimento'' de um livro, o ''Mothern - Manual da Mãe Moderna'', publicado neste mês pela Matrix Editora, especializada na publicação de livros de humor no país. O manual conta de forma prática e divertida as ''aventuras e desventuras'' das mães atuais, na maternidade, na hora do almoço, com os brinquedos, na fase dos porquês e claro, no relacionamento com os pais.
Tudo começou com um blog na Internet (www.mothern.blogspot.com), sem maiores pretensões que a de desabafar, e que resultou em compartilhar suas experiências. ''O Mothern começou de uma conversa. Éramos duas amigas, trinta e poucos anos, uma e duas filhas, reclamando que não havia revistas nem sites voltados para gente como a gente. Não nos identificávamos mais com o estereótipo da 'mulher-solteira-procura', que aparece nas mídias voltadas para as twenty-something, e muito menos com o padrão careta de certas revistas femininas dirigidas às mães'', contam.
Em três anos, o blog virou uma grande comunidade, com mais de 250 mil visitas e mais de 600 mil acessos no espaço para comentários de mães que se identificavam com a dupla e que enfrentavam os mesmos problemas. ''Uma das características do blog é não dar nenhuma lição de moral, até porque não temos formação nenhuma, a nossa formação é ter parido. O legal é que há muita troca, e de coisas que funcionam, como 'técnicas bizarras' para fazer a criança escovar os dentes'', diz Juliana. Técnicas como ''dar vida'' aos dentes, que pedem: ''por favor, me lave, não se esqueça de mim!''.
Com o blog e o livro, elas revelam as ''verdades'' sobre a maternidade, ''aquilo que nossas mães nunca contaram'' - de que o bebê chora mesmo e às vezes por motivo algum (principalmente nas horas mais impróprias, quando você precisa dormir para acordar ''linda e loira'' no dia seguinte para uma reunião importante...). Que ''o paraíso onde as mães padecem não é um lugar muito limpinho'', que a sala de cesariana, por exemplo, parece um açougue, e que não há uma ''tecla open'' para o bebê sair. (leia trechos do livro nesta página)
Ou ainda que uma festa de aniversário infantil pode custar várias calças e sapatos novos, ou um pacote promocional para Porto de Galinhas ou ainda uma passagem só de ida para Paris. Tudo isso para concluir: ''ter filhos não é uma decisão racional''. ''Ter filho é maravilhoso, mas cheio de coisas inesperadas, nojentas e cansativas. A gente admite que tem hora que ''enche'', afirma Laura.
Mas a verdade mesmo é que elas definitivamente quebraram o mito de que a maternidade é aquela coisa angelical e meiga, como nos comerciais de fralda. Os bebês são fofinhos, sim. Mas também fazem muita sujeira, e podem te deixar em situações constrangedoras. Por isso, se você pretende ser mãe, não desanime, siga a receita das motherns: ''muito melhor que padecer no paraíso é se divertir nele''.


