Modelo precisa de aperfeiçoamento
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sábado, 11 de março de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Entre as entidades representativas de diversos setores da sociedade paranaense, as críticas ao pedágio variam de incisivas a moderadas. Todas, no entanto, indicam que o modelo precisa ser melhorado. O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Anselmo Trombini, afirma que o diálogo entre governo, usuários e concessionárias sobre as tarifas deve ser estimulado.
O custo (do pedágio) é alto, mas o custo decorrente de más condições de estradas é maior. As despesas com o pedágio acabam repassadas para o consumidor final, diz Trombini. Nós já pagamos muitos impostos para que as estradas sejam bem conservadas sem pedágio. Há uma falha do poder público.
A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) estima que o pedágio representou R$ 78,24 milhões
a mais nos custos do escoamento da safra do Estado em 2005. Essa quantia significou um aumento de 14,76% em relação ao ano anterior. A entidade critica o modelo de pedágio no
Paraná, onde os usuários custeiam as obras que as concessionárias são
obrigadas por contrato a fazer.
Em países desenvolvidos, primeiro os serviços são disponibilizados e só depois se inicia a cobrança, argumenta Robson Mafioletti, analista técnico e econômico da Ocepar. A entidade sugere a criação de uma agência reguladora do pedágio, na
qual concessionárias, governo e representantes dos usuários tomariam decisões sobre obras nas estradas e
reajustes de tarifas.
Apenas 1/3 do que as concessionárias arrecadam
no Paraná é investido nas estradas, critica Acyr Mezzadri, coordenador estadual do Fórum Popular contra o Pedágio. No Brasil, o pedágio opera num modelo nocivo, porque as empresas exploram rodovias públicas, construídas com dinheiro público. As concessionárias deveriam devolver as
estradas para o Estado.
Diumar Bueno, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Paraná (Sindicam) e da Federação Nacional dos Caminhoneiros (Fenacam), comenta que,
para a categoria, o pedágio representa entre 20% e 25% sobre o valor do frete. Para
os caminhoneiros, a solução seria que as empresas que contratam serviços de transporte respeitassem a
lei do vale-pedágio, que
existe desde 2002. Mas
apenas as grandes e mais organizadas a cumprem. Muitos caminhoneiros ficam com o prejuízo, diz Bueno.


