Na Avenida Nossa Senhora Aparecida, no bairro Seminário, a adaptação das instalações de uma antiga fábrica de tintas para uma vila comercial transformou o modelo num bom negócio. O valor dos aluguéis é inferior à média daqueles cobrados em imóveis comerciais na mesma área da cidade (por causa do padrão mais rústico), o proprietário tem seu imóvel valorizado pelas benfeitorias executadas pelos inquilinos, e os clientes podem frequentar um local agradável e diferente.
O único ''porém'' é que, por não terem porta para a rua, os comerciantes dependem mais da propaganda boca a boca para atrairem os clientes. Mas segundo o gestor de negócios imobiliários, Luiz Carlos Borges da Silva, a sobrevivência dos empreendimentos presentes ali é maior que a média. ''Demonstra que é um local que deu certo para quem se instala'', observa.
Na ''vila'' desde 2001, o fotógrafo Nuno Papp diz que, mesmo com o investimento feito em reforma, valeu a pena ir para lá. ''Deveriam investir mais em locais desse jeito. Tem um charme natural, não precisa enfeitar. Na minha área, as pessoas gostam de ver e comentar o lugar. E aqui tem isso, acho bacana'', explica. ''Estou pensando em sair daqui para um lugar maior. E tem uma fila atrás de mim para o dia que eu sair'', conta.
Além do charme do local, Nuno ressalta que os outros atrativos são o aluguel barato, a boa localização (perto do Centro) e a segurança. Segundo o gestor Luiz Carlos da Silva, o valor cobrador por metro quadrado não chega a R$ 10. Em edifícios e conjutos comerciais esse preço pode chegar a R$ 30. ''Ainda assim o proprietário tem uma renda boa em relação ao capital dele porque não teve que fazer grandes investimentos. Tudo o que está aqui já estava construído. A simplicidade do lugar é que dá o glamour, com um custo acessível. E enquanto isso o imóvel está se valorizando com o crescimento da cidade'', avalia Silva.
Para o gestor, todo o investidor deve valorizar o que tem e essa é uma transformação que se dá a longo prazo. ''É perfeitamente possível revitalizar qualquer imóvel antigo nas condições que está esse aqui. A tendência é cada vez ficar melhor'', afirma. Para chegar ao que se observa hoje no local, o perfil dos inquilinos foi sendo modificado durante os últimos dez anos. ''Se não é um ramo que tem afinidade com o local não aprovamos o cadastro. Para não descaracterizar'', explica Silva.
Segundo Jeferson Gomes, administrador da Incorporadora Malu Ltda., proprietária do imóvel desde o final dos anos 80, a idéia inicial era alugar o espaço para comerciantes do ramo de peças e serviços para automóveis. Foi a partir de 1995 que a seleção dos inquilinos passou a priorizar atividades mais voltadas para o artesanato, artes e afins.
Hoje o local abriga escola de dança, estúdio fotográfico, empresa especializada em festas infantis, loja e ateliê de artesanato, entre outros. ''Todo mundo se encanta com o lugar. Quem vem e gosta vem sempre'', conta Andressa Pasinato, da Abyara Oficina de Arte. De acordo com Andressa, os comerciantes vizinhos acabam criando um laço de amizade. ''Vai um na loja do outro tomar um cafezinho. A gente conhece a vida de todo mundo, a família'', revela.
Para a chef Daniela Prosdócimo Caldeira, o local conquista pela tranquilidade. ''É pacato. Todo mundo que vem se encanta. Tem cara de casa de campo. Normalmente quem vem acaba ficando. E sempre tem gente de fora perguntando se tem alguém pra sair'', observa. (D.R.)

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