Mocidade Azul pode não desfilar
Pela primeira vez em mais de 30 anos de tradição, a Escola Mocidade Azul corre sério risco de não desfilar no Carnaval deste ano. De acordo com o presidente da Comissão de Carnaval de Curitiba, Domingos Kalva, a escola está subjúdice devido a uma disputa interna.
A celeuma teve início em maio de 2006, durante a eleição da nova direção. A chapa da situação não aceitou a votação de membros da escola no processo, apenas da diretoria. Houve então uma cisão interna que afastou parte da velha guarda da Mocidade Azul pertencentes à chapa opositora.
Em novembro de 2006, o grupo dissidente alterou a razão social da escola para Grêmio Cultural e Carnavalesco Mocidade Azul. Segundo a carnavalesca Marlene Monte Carmelo, 60 anos, a mudança aconteceu para que o grêmio pudesse, no futuro, disputar verbas culturais.
Para impedir que o grupo pleiteasse a verba disponibilizada pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC) para o desfile deste ano, a atual diretoria entrou com uma medida cautelar e com uma queixa-crime contra a chapa de oposição, alegando, entre outras acusações, falsidade ideológica.
Em dezembro, a Justiça deferiu a medida cautelar, anulando a eleição realizada pelo grupo da oposição, mas não concedeu a tutela da verba carnavalesca da FCC.
Marlene, uma das fundadoras da Mocidade Azul, alega que o atual presidente já está no poder há mais de cinco anos. Segundo ela, o processo eleitoral com a participação dos membros da escola está respaldado no Código Civil, além de refletir o desejo de renovação dos dirigentes.
Enquanto aguarda nova decisão da Justiça, a diretoria atual continua ensaiando normalmente. Segundo a tesoureira Márcia Barbosa, o grupo pretende desfilar, mesmo sem o dinheiro do edital da FCC.
No entanto, de acordo com a Comissão de Carnaval, a escola deveria ter pleiteado espaço na avenida até dia 2 de fevereiro e, como não o fez, pode ficar de fora do desfile deste ano. (A.A.)





