Mobilização marca todas as épocas
Viajar aos municípios da região para coberturas jornalísticas também não era missão das mais fáceis quando a Folha fixou Sucursal em Campo Mourão. Havia ligação com asfalto apenas para Peabiru e Engenheiro Beltrão, lembra o jornalista Antônio Luiz de Matos. Isso porque havia sido pavimentada a PR-317, que ligava Campo Mourão a Maringá. O jornalista recorda que a Folha acabou sendo fundamental em campanhas da região a favor do asfaltamento da BR-369, até Cascavel.
A Folha também esteve presente nas lutas pelas pavimentação da rodovia BR-272, que liga Campo Mourão a Goioerê, e da BR-487, que liga Campo Mourão a Guarapuava e Curitiba. Isso sem contar a própria PR-317, asfaltada alguns anos antes. Quase 30 anos depois, a luta da região por mais rodovias asfaltadas ainda não acabou. Nem o apoio da Folha. Em Campo Mourão, por exemplo, o sonho continua sendo a Estrada Boiadeira (BR-487), que liga a cidade a Cruzeiro do Oeste.
A rodovia, quando asfaltada até Porto Camargo, na divisa com o Mato Grosso do Sul, vai criar um novo corredor de acesso ao Porto de Paranaguá. Para Campo Mourão, o asfalto pode significar um novo período de desenvolvimento. A luta é antiga e acompanhada sempre de perto pela Folha. Seja nas vezes em que o asfalto foi prometido, seja nas vezes que o asfato foi iniciado, como agora, em setembro, ou nas mesmo nas vezes que a obra ficou abandonada.
Em Goioerê, a população também continua sonhando com a pavimentação da BR-272, no trecho que liga a cidade a Guaíra. É outro sonho regional acompanho pela Folha, inclusive agora, quando o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) autorizou a licitação para a realização do projeto para a pavimentação da rodovia, nos 73 quilômetros entre Goioerê e Iporã, que é o trecho que continua sem asfalto.
ReferênciaNos anos 70, a Folha passou a ter sucursal em Umuarama, com departamentos comercial e de jornalismo, o que reforçou a presença do jornal na região. Em pouco tempo, a Folha atingiu 1.300 assinantes somente em Umuarama. Ainda não existiam jornais locais e a televisão não sintonizava direito. A Folha era ponto de referência, pois dava ampla cobertura ao noticiário regional e tinha grande circulação, lembra o jornalista Valdir Miranda de Souza, 44 anos, um dos primeiros repórteres a trabalhar na sucursal, entre 73 e 75.
Miranda recorda que naquele tempo não haviam os recursos de hoje, não havia tecnologia. A sucursal não tinha nem telex, hoje suplantado pelo fax e pelo computador. Quase não havia asfalto e era comum os carros ficarem atolados quando chovia. Cansei de comer pão seco com mortadela e tomar tubaína quente em vendas de beira de estrada, enquanto esperava para seguir viagem.
Os textos e fotos eram enviados para Londrina no carro que trazia o jornal de manhã até Umuarama e Guaíra, e retornava às 15 horas. Quando eram notícias urgentes, de última hora, Miranda escrevia o texto e telefonava para a redação. Do outro lado, alguém colocava um gravador na linha e ele lia o texto. Depois de gravado, o texto era transcrito para o papel na Redação.
Natural de Cornélio Procópio, o fotógrafo da prefeitura de Umuarama, Pedro Tadeu de Oliveira, aprendeu o ofício na sucursal da Folha, onde entrou em 73 como auxiliar de escritório. Trabalhou até 77. Oliveira ainda guarda todas as máquinas que utilizou para registrar para a Folha os grandes ascontecimentos da época.
Ele cita, em especial, o ano de 75, quando aconteceu uma série de fatos marcantes. Naquele ano, o fotógrafo foi preso quando tentava fotografar o despejo de posseiros em 5 mil alqueires de terra da família Martinez em Terra Roxa. Ficou detido até o no final da tarde quando chegaram policiais federais de Guaíra. Naquele mesmo ano, a geada negra dizimou os cafezais da região e, em seguida, grandes incêndios destruiram o que restou da vegetação esturricada.Vânia MoreiraValdir Miranda: matérias gravadas por telefoneSid Sauer
e Vânia Moreira





