Arquivo FolhaFinal felizO Zerinho, um dos raros locais de lazer e recreação no centro da cidade: moradores comemoram vitóriaQuem costuma esticar as pernas ao som do canto dos garnisés e das aves que vivem no Bosque do centro de Londrina, desfrutando do espaço verde no coração da cidade, não aceita a idéia de voltar no tempo e conviver com carros transitando pelo local. Mesmo os que não aderiram às caminhadas e vão ao Zerinho gastar tempo, ver crianças brincando ou fazer a travessia com segurança, sem ter que disputar espaço com os veículos, não concordam com mudanças na área.
A polêmica criada pelo projeto do vereador Flávio Vedoato (PTB), que previa a reabertura da rua Piauí, no trecho entre a Avenida Rio de Janeiro e a São Paulo, onde está instalada a pista oval que se assemelha ao redondo do Zerão, não durou muito tempo.
Depois da mobilização dos usuários do Bosque, a maioria moradores de prédios da área central, ocorrida há dois meses, o autor da matéria decidiu retirar o projeto de pauta. ‘‘Foi uma vitória da população’’, avalia a vereadora Elza Correia, que liderou a mobilização em defesa do Zerinho.
Arquivo FolhaObra aprovadarotatória construída no centro para melhorar fluxo de veículos: placa singela homenageia os pioneiros
A decisão foi comemorada por Tereza Matucanovic, 50 anos, e que há três anos caminha no Zerinho. O nome dela consta na lista dos que assinaram o documento entregue ao prefeito Antonio Belinati pedindo a preservação do local. Moradora nas proximidades do Bosque, ela reclama da falta de áreas de lazer na cidade. ‘‘Querer acabar com esse é um absurdo. Nada substitui uma área como essa onde as crianças brincam, andam de bicicleta e a gente pode caminhar com tranquilidade’’, diz Teresa.
Opinião semelhante tem o imobiliarista Natal Martelo, 66 anos, que se recorda da época em que a pequena reserva de mata nativa foi urbanizada em 1953. Ele foi um dos usuários do terminal de transporte coletivo instalado no meio do Bosque e andou por entre os ‘‘corretores’’ de carros usados que utilizavam a área. Hoje não abre mão do local onde realiza suas caminhadas diárias. ‘‘Isso aqui tem que ser preservado. É o coração de Londrina e não podemos cortar o coração ao meio senão ele morre.’’
Apesar do projeto do vereador Flávio Vedoato não ter sido retirado definitivamente de pauta, podendo retornar à votação, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) assegura que outras medidas que estão sendo implantadas no trânsito da área central tornam desnecessária a reabertura da rua Piauí.
‘‘Mesmo assim vamos continuar atentos porque o Zerinho é da população e tem que ser preservado, assim como o Bosque’’, avisa dona Kazuê Udihara, 79 anos, uma das integrantes da Sociedade Amigos do Bosque, também defensora do Zerinho.
Rotatória dos Pioneiros. Com a decisão de homenagear, sem distinção, a todos os que contribuíram com o início da história de Londrina, o prefeito Antonio Belinati pôs fim à discussão em torno do nome da rotatória do centro da cidade.
Construída no local conhecido como ‘‘sete encruzilhadas’’, devido à confluência da avenida Celso Garcia Cid com alameda Manoel Ribas e ruas Souza Naves, Minas Gerais e Santa Catarina, a rotatória foi a solução encontrada pela Prefeitura para eliminar o ponto de conflito, responsável pela ocorrência de acidentes e congestionamento de veículos.
A obra - iniciada no final de julho deste ano e concluída em meados de agosto - recebeu a aprovação da comunidade. A dificuldade inicial dos pedestres em fazer a travessia no local também foi resolvida rapidamente com a utilização de cones que sinalizaram o espaço a ser pecorrido. O mais complicado acabou sendo a decisão em torno da homenagem a ser prestada através de um monumento que ocuparia o centro da rotatória.
A Prefeitura tinha a intenção de fazer um concurso para a escolha do projeto do monumento que homenagearia os colonizadores ingleses do Norte do Paraná. Também chegou a ser cogitada a possibilidade de homenagear o comendador Julio Fuganti.
Um dos diretores do Ippul, Alaertes Karoleski, explica que a falta de recursos para executar a obra e as críticas à proposta de homenagear os britânicos levaram o prefeito Belinati a optar por uma solução mais simples e econômica.
Sem a construção do monumento, a rotatória acabou se transformando num jardim onde, segundo o Ippul, foram plantados 800 metros de gramado e 5.500 de mudas de flores. Perto da rotatória, sobre uma pedra, a placa que pôs fim à polêmica rende, de forma singela, uma homenagem a todos que ajudaram a construir a cidade.

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