Uma cidade de múltiplas raízes. Assim podemos descrever Rolândia. Apesar da colonização alemã ter forte destaque, a verdade é que a construção da cidade também contou com o suor e as mãos de japoneses, italianos, portugueses, espanhóis, húngaros, poloneses, austríacos e muitos outros imigrantes. A primeira casa no perímetro urbano de Rolândia foi construída em 1934 e com a chegada dos imigrantes, muitos foram para as fazendas e as colônias das diferentes nacionalidades se formaram. A ex-pesquisadora do Museu Histórico de Rolândia, Haudrey Miranda de Paiva, conta que as responsáveis por manter as diferentes culturas vivas por tanto tempo foram as colônias. Ainda hoje há alguns grupos de descendentes de imigrantes que fazem festas e participam de grupos específicos. "Os alemães acabaram influenciando na implantação da Oktoberfest e os japoneses fazem anualmente uma festa em que é servido o sukiaki", comenta.

A cidade conta com um grupo de dança alemã, com a Associação Cultural e Esportiva de Rolândia, que tem como propósito fomentar e divulgar elementos da cultura japonesa, grupos de dança típicas, corais que cantam em alemão e japonês e ainda um grupo de taikô – tambores japoneses. A chefe de gabinete da prefeitura de Rolândia, Maria Luiza Müller, explica que há ainda o grupo folclórico italiano La Famiglia e que as demais culturas são representadas pela gastronomia. A variedade cultural de Rolândia pode ser comprovada ao identificar pelas ruas restaurantes que servem comidas típicas de diversos países.

As influências culturais são tão fortes que Maria Luiza afirma ser possível encontrar pessoas falando japonês e alemão pelas ruas de Rolândia ainda nos dias de hoje. "Só em Rolândia você pode encontrar um japonês com chapéu de alemão e um negro com kimono", brinca. Com seus 60 mil habitantes Rolândia divide espaço entre um templo budista que possui arquitetura tipicamente japonesa e um cemitério onde a maior parte dos túmulos pertence a pessoas de origem alemã.

A pesquisadora Haudrey lembra que quando começou a trabalhar no Museu Histórico da cidade, ainda havia muitos imigrantes vivos e que as colônias eram muito grandes e fortes. "Algumas colônias ainda sobrevivem, mas com o passar do tempo muita gente voltou ao país de origem das famílias e hoje há mais mistura de nacionalidades", comenta. Ela lembra que os europeus que construíram Rolândia eram pessoas cultas. "Muitos vieram para fugir da guerra. Na colônia alemã havia médicos, cientistas, ministros de Estado... o que mais chama atenção é que eles deixaram a atividade intelectual de lado para se submeter ao trabalho braçal de derrubar árvores, construir casas e roças em busca de uma nova vida", destaca. De acordo com ela, apesar da mudança de rumo, a atividade cultural nunca foi perdida. "A história de Rolândia é muito rica e bonita mas muitas vezes a gente não dá valor. É como uma linda paisagem, quem nunca viu se encanta mas quem passa por ali todos os dias não dá importância a tanta beleza", ressalta Haudrey.

A secretária municipal de Cultura, Margarida Regina Hellbrugge destaca que a principal missão da secretaria é manter vivas as diferentes culturas que compõe a cidade. "Percebemos que os grupos étnicos encontram dificuldades em atrair os jovens para dar continuidade a estas tradições. Não podemos deixar morrer esta história e estes movimentos. Estamos tentando encontrar uma linguagem junto a estes grupos para estimular os jovens a participarem e acreditamos que uma das saídas seja trazer elementos atuais da cultura desses países em vez de ficar preso a características que só eram encontradas no passado", destaca.

Imagem ilustrativa da imagem Mistura harmônica de povos e culturas
| Foto: Anderson Coelho
O templo budista é um dos marcos da mistura de gerações que compõe a história de Rolândia