O carinho demonstrado pelas mães durante as primeiras amamentações pode determinar o
comportamento de uma criançaTem a boca que ri, a boca que chora, a que grita e a que cala, a que beija e a que morde, a que diz sim, não, talvez... Todas elas expressam desejos e não escondem o que sentem. As palavras podem mentir, mas as bocas jamais. O movimento dos lábios e as expressões demonstradas por eles revelam as intenções da alma. Sem disfarces.
Segundo a psicóloga Ivani Carollo, que há três anos se especializa no assunto, as recordações que envolvem a boca do ser humano em sua primeira fase de vida se refletem no futuro. ‘‘As lembranças trazidas da infância marcam a vida adulta.’’

Raphael Vieira





Marcelo Almeida

A modelo Isabele Fontana, da Agência Staff (acima). A boca entre o suave e o provocante objeto do desejo

‘‘Mandar uma criança calar a boca, bater em seus lábios, mentir que um remédio tem gosto bom ou que o tratamento dentário não vai doer traumatizam para sempre’’, ensina. ‘‘Elas são enganadas o tempo todo pela boca e, por isso, podem apresentar quando adultas uma tensão crônica no maxilar, além de sintomas frequentes de insegurança.’’
Em contrapartida, a especialista explica que a segurança de uma pessoa bem realizada é diretamente proporcional ao carinho demonstrado por sua mãe durante as primeiras amamentações. ‘‘O feliz contato do bebê com o seio materno faz com que as pessoas se sintam menos ameaçadas no futuro’’, diz Ivani.Saliva é
o lubrificante
natural
Um dos segredos da boca está em seu lubrificante natural. A saliva, segundo explica a psicóloga Ivani Carollo, tem poderes milagrosos. ‘‘Não é por acaso que, quando o filho se machuca, a mãe passa saliva no local e diz que sarou’’.
Os animais também lambem seus filhotes após o nascimento e repetem o ato cada vez em que eles se machucam. ‘‘A saliva tem um grande poder cicatrizante’’, explica a psicóloga.
Ela acha que as pessoas que trabalham com a boca, como dentistas, odonto-cirurgiões e fonoaudiólogos desconhecem a história orgânica, psicológica e até mesmo religiosa desta parte do corpo. ‘‘Por isso iniciei estes estudos, quando comecei a lecionar no curso de Odontologia’’, contou. Em breve, Ivani lançará um livro sobre o assunto.





Kraw PenasA psicóloga Ivani Carollo, está escrevendo um livro sobre a boca, objeto de estudos desde
que ela passou a lecionar para alunos do curso de Odontologia
Exercícios
especiais para
os atores
Caras e bocas fazem parte do dia-a-dia de alguns profissionais, como atores e modelos. A atriz curitibana Marcelle Regina Tartas conta que, quando está no palco, utiliza as expressões de sua boca o tempo todo. ‘‘Um erro cometido aí pode comprometer toda a cena’’, afirma.
Para garantir a perfeição, os 15 minutos antes de subir ao palco são reservados exclusivamente para o aquecimento da boca. ‘‘Fazemos exercícios com a bochecha e com os lábios, trabalhando toda a musculatura da região’’, diz ela. ‘‘Além disto, diariamente o ator deve dispensar de 20 a 40 minutos para exercícios com a boca’’, ensinou Marcelle. A importância está numa voz adequada aos personagens, além da expressão correta. ‘‘Para obtermos uma comunicação ideal é preciso um trabalho muscular rigoroso.’’




Lábios que
sabem como
assaltar
Entre as infinitas utilizações da boca, uma jovem americana de Atlantic City, Margarita de los Santos, descobriu um método original para roubar. Se fazendo passar por prostituta, ela atraía os homens e os beijava até a exaustão. Durante o ‘‘amasso’’, passava para a boca do companheiro um poderoso sonífero. Depois era só lavar a boca, esvaziar os bolsos da vítima e ir embora, pronta para o próximo beijo...



O beijo que
cura todas as
tristezasBeijamos as fotografias, as cartas queridas e os dados que serão lançados. Tocamos nossos lábios na bandeira da pátria, nas imagens religiosas, no chão e no dedinho machucado de uma criança, provando que, além de erótico, beijar é um ato sagrado.
Mas é o beijo dos amantes que se eternizou nas telas de cinema e na memória de todos os apaixonados. Aquele beijo que suga os sentidos, mistura as almas e traduz as vidas, provocando um curto circuito de emoções e uma confusão de línguas e sonhos...
‘‘Quando beijamos o corpo da pessoa amada mapeamos o novo terreno com nossos lábios’’, explica a especialista. Segundo afirmou, durante os beijos profundos voltamos ao estágio de um passado distante, quando éramos alimentados boca a boca, como pássaros.
Esta é uma das teorias sobre a origem do beijo. Ele teria se iniciado na França, à partir do excesso de cuidados maternais. ‘‘As mães mastigavam os alimentos para os filhos e os passavam diretamente para a boca das crianças’’, ensinou Ivani.
Para os romanos antigos, beijar siginificava capturar a alma de um moribundo. ‘‘Ainda hoje, quando beijamos quem amamos, temos a intenção de compartilhar da sua energia’’.
O beijo mais longo da história aconteceu em 1985, em Chicago. Durou mais de 17 dias e o casal descansava apenas cinco minutos por hora.

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