É comum que, quando nos engasgamos, algumas pessoas chamem por São Brás. A dona de casa Aurora Lorena, 75, é uma delas. Todas as vezes que alguém de sua família se engasga, ela pede ao santo que a pessoa "desafogue". "Sempre peço pra ele livrar dos problemas de garganta", conta a senhora, devota do santo desde que nasceu. Mesmo que um pouco estranho, o chamado não é feito sem motivo. São Brás é considerado o protetor das gargantas.
O título foi concedido após um encontro ocorrido há aproximadamente sete séculos, quando, no ano de 316, o santo foi procurado (pouco antes de sua morte) por uma mãe aflita com a situação de seu filho. A criança estava engasgada com um espinho de peixe, que foi retirado sem dificuldade. Após a cura de seu filho, a mãe ofereceu duas velas a São Brás. Esta passagem determinou os procedimentos realizados até hoje na bênção de gargantas.
Ontem, dia de São Brás, o santo foi homenageado com a realização de cinco missas no Santuário Nossa Senhora do Carmo, da qual é co-padroeiro. A escolha do santo para protetor do santuário ocorreu pela grande procura dos fiéis, fato que deu início, há mais de 50 anos, à tradicional missa em sua homenagem.
Mais de cinco mil fiéis participaram das celebrações de agradecimento às graças conseguidas e de pedidos de proteção. A bênção das gargantas é realizada com duas velas bentas e protege as pessoas dos males que podem ocorrer. O padre pede a proteção do fiel enquanto as velas, dispostas em forma de uma cruz, envolvem o pescoço da pessoa.
"A intenção é proteger os fiéis com as bênçãos de Deus, e a intercessão de São Brás, de todos os males que atingem a garganta. Que as pessoas fiquem livres de todas as enfermidades relacionadas à garganta", explica o padre Luiz Alberto Kleina, pároco do Santuário. O padre conta que a bênção é muito procurada por radialistas e profissionais dos meios de comunicação.
A dona de casa Leonor H. de Lorena, 65, participa da missa em homenagem ao santo como forma de agradecimento à cura de um problema na garganta. Há dois anos, ela ficou sem voz por quase uma semana e acredita que conseguiu recuperar-se por intercessão de São Brás. "Fiquei curada graças a Deus e a ele", conta. A fé é intensificada pelo apoio de seu marido, devoto de São Brás "desde sempre".
Pela primeira vez na missa em homenagem a São Brás, a professora Ediluci Fernandes Botelho, 31, estava acompanhada de sua filha Nicole, 4, que já esteve com vários problemas na garganta. Para ela, o santo foi responsável pela cura da menina. A participação na missa e a bênção na garganta da pequena Nicole reforçou a fé no santo da qual ela não era devota. "Ela não vai ter mais problemas, tenho fé que não", garante.
Os pais de Ediluci, Iracema e Aureliano Botelho, regularmente prestam a homenagem a São Brás. "Se não é nesta igreja, é em outra", conta o funcionário público federal aposentado, que sempre se lembra do santo e acredita na sua proteção desde pequeno. "Principalmente eu, que se converso mais um pouco já fico rouco."
História - São Brás Sebaste foi um mártir, bispo e é considerado um santo pela Igreja Católica. Ele viveu na Armênia, entre os séculos III e IV. São Brás morreu em 316. Ele foi decaptado, após ser capturado pelos romanos, por isso é considerado um mártir.

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