Miss ou Top Model?
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de abril de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Viagens, prêmios, popularidade, admiração e glamour. Que jovem não ficaria envolvida pelo fascínio de ser uma miss? De Marta Rocha a Vera Fischer, passando pela ex-BBB paranaense Grazi Massafera, este sonho embalou gerações de brasileiras que perseguiram esta meta com todas as forças. No entanto, aos poucos esta ambição foi perdendo espaço no imaginário feminimo, cedendo lugar para outras ocupações.
Segundo Sílvia Kurz, coordenadora da agência de modelos Casablanca que também realiza um concurso de Miss Curitiba hoje a maioria das jovens sonha mais com uma carreira de modelo e manequim do que com a coroa de miss. Elas querem ficar bonitas, ganhar cachê e aparecer, explica. Em tempos de Gisele Bündchen, virar miss pode ser apenas o primeiro degrau para tornar-se uma top model. Mas nem sempre foi assim.
Na década de 50, quando os concursos de miss eram promovidos pela empresa Maiôs Cataline e pelo Diários Associados, a ex-professora Wilma Sozzi estava no auge da juventude. Em 1955, aos 18 anos, ela recebeu o título de Miss Paraná. Logo depois foi ao Rio de Janeiro onde foi coroada Miss Cinelândia, vencendo até mesmo a futura Miss Brasil, Adalgisa Colombo.
Segundo ela, as expectativas das participantes daquela época eram bem diferentes das pretensões das jovens de hoje. Ninguém pensava em ser modelo, a gente queria era ser aeromoça, lembra. Naquele tempo, para levar o título, as meninas não podiam ter cirurgias plásticas, nem atributos de silicone. Era tudo original, brinca Wilma.
Atualmente existem vários concursos nas esferas municipal, estadual e nacional. Cada uma destas franquias elege as participantes que irão disputar concursos como o Miss Mundo, Miss Universo, Miss Globo, e outras competições similares. De acordo com Daniela DÁvila, coordenadora de eventos da agência Danilo DÁvila, que há 40 anos promove concursos de miss em diversos estados, o que leva as jovens a participar destes certames é a ambição de divulgar seu país.
O que levou a Miss Brasil 2002, Sandiscléia Gutierrez, a entrar na competição foi uma greve na faculdade onde estudava. Sempre era convidada pela organizadora do Miss Apucarana para participar. Daquela vez, como estava sem aula, resolvi aceitar, lembra. Vencer a competição municipal foi apenas o primeiro passo, logo vieram as competições estadual e nacional.
Ela admite que gostou da popularidade e das viagens que decorreram desta experiência e reconhece que a exposição que um título de miss proporciona ajuda a obter trabalhos como modelo. Mas isso ficou em segundo plano, ela elegeu como prioridade na sua vida a profissão que escolheu na faculdade, o jornalismo.
Também a a Miss Curitiba 2007, Danielle Olineira, de 24 anos, seguirá outro rumo após sua coroação. Recentemente ela retornou de Ankara, capital da Turquia, onde disputou o Miss Capitals of The World. Ela conta que após conquistar o título surgiram várias propostas para ela como modelo, mas sua grande paixão é a biologia, curso que estuda na Universidade Federal do Paraná. Ela conta que no início nem mesmo tinha vontade de ser miss. Entrei no site por curiosidade, me cadastrei e acabei ganhando, conta ela.
A história do concurso
O Concurso de Miss Brasil começou a ser disputado em 1954. No entanto, existem registros de eleições informais da brasileira mais bonita anteriores a esta data. Segundo o site www.missbrasiloficial.com.br, em 1900, Violeta Lima Castro venceu o que seria a primeira competição de beleza nacional.
A primeira vencedora do concurso oficial de Miss Brasil foi a baiana Martha Rocha, que, classificada para o Miss Universo, ficou em segundo lugar na competição mundial por conta de duas polegadas de altura a mais. Em 1955 o concurso passa a contar com a promoção dos Diários Associados e atinge popularidade.
A exibição do Miss Brasil já passou por várias emissoras, mas ficou um bom tempo longe da tevê. Entre 1988 e 2003 não houve transmissão ao vivo do evento, apenas uma gravação veiculada pelo SBT dois meses depois da disputa,
Desde que a competição chegou ao Brasil duas brasileiras já conquistaram a coroa de Miss Universo, foram elas a gaúcha Ieda Vargas, em 1963, e a baiana Martha Vasconcellos, em 1968.
Atualmente existem várias competições nacionais do evento. (A.A.)


